quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Carta aberta ao Coronel Anjos de Carvalho

Caro Coronel Anjos
Antes de mais um abraço. Vi aqui uma msg sua e antiga, referente ao Tango, Património da Humanidade, em que o sr. pergunta: e para quando a Canção de Coimbra, Património da Humanidade? Tá errado! Nunca a Canção de Coimbra, mas sim o Fado de Coimbra.
Não sei que raio de aversão a palavra Fado, causou aos intelectuais de Coimbra. Fado é uma das poucas palavras portuguesas que ainda existem, e não nos devemos envergonhar dela. Se nos faz lembrar o fado de Lisboa, como o fado de "faca e alguidar", que se lixe. Isso nada tem a ver connosco. Só existe Fado no Mundo, em Portugal, e é em Coimbra e Lisboa.
Se renunciarmos ao termo Fado, estamos a dar a exclusividade a Lisboa e o "estranja" que vier a Portugal ouvir o Fado, não quererá vir a Coimbra, pois é capaz de dizer que "Canções" até os Índios têm.
Por acaso os argentinos chamam ao Tango, canção argentina, os brasileiros canção brasileira ao Samba, e assim por diante?
Nenhum deles larga da mão o que lhes pertence, só nós portugueses largamos tudo. Foram as nossas colónias, é a língua portuguesa que é a língua mãe, e aos brasileiros que "falam um dialecto amazónico com penas na cabeça"é que temos de baixar as calças e fazer aquilo que eles querem. O Escudo (moeda) já se foi, e da Bandeira portuguesa, só resta o "Pau".
Ás vezes tenho pena de ser português.
Mas duma coisa eu estou certo; o Povo faz a língua e outras coisas mais. Para o Povo nunca haverá a Canção de Coimbra, mas sim o Fado de Coimbra. Valha-nos isso. O que eu lhe escrevi nesta Msg, já o tinha feito a um tal historiador que concordou plenamente comigo, mas no dia seguinte já estava a falar da "Canção de Coimbra". Esta carta vai também para toda a malta do FADO DE COIMBRA das minhas relações e não só. Que ela não caia em saco roto.
Abraços e sempre ao dispor.

Frias Gonçalves

6 Comentários:

Anonymous Joaquim Castro - Vouzela disse...

"Só existe Fado no Mundo, em Portugal, e é em Coimbra e Lisboa."

Por muito que perceba a ideia da frase e concorde com ela, se estamos a falar de semântica e etimologia da palavra, Fado no Mundo só em Portugal mas Portugal é muito mais que Lisboa e Coimbra e o Fado de Coimbra felizmente não existe só em Coimbra, nem pertence só a Coimbra!

Opinião de um leigo.
Peço desculpa se me enganei!

9 de fevereiro de 2011 às 18:03  
Anonymous Anónimo disse...

Talvez que, em vez de perder a energia num debate de terminologia e definição, seria em minha modesta opinião, mais útil, desenvolver um trabalho de fundo, desta tão linda aptitude de um povo a s'exprimir musicalmente. Os poemas de Coimbra exprimem os sentimentos da gente de Coimbra e os de Lisboa os de Lisboa. A evolução técnica e artistica de ambos é tanto diferente que similar, e por isto, enriquecem o património cultural de Portugal.

Henrique Raposo

9 de fevereiro de 2011 às 18:11  
Anonymous Anónimo disse...

já não há pachorra para tanta Ignorância ! contentem-se que ainda terão lugar numa casa de fados ,very tipical-para estrangeiro ver---não vale a pena investigar seja o que for --pois têm audiencia...
quando um pretenso dicionário biográfico de músicos --"esquece" um Joel Canhão,Um Zé Miguel Baptista .um José Firmino...(verbetes não feitos- por coimbrãos,-vejam quem colaborou!)- ainda querem ser Património Imaterial...que em termos de Fado--só terá qualidade,para ser reconhecido o Fado Batido =Umbigada que ainda se dança nos arredores do Rio de Janeiro
O Samba só foi reconhecido o Samba de Roda do interior baiano...

9 de fevereiro de 2011 às 22:21  
Anonymous Anónimo disse...

No que se refere estritamente ao tema "Fado", sem outras comparações ou analogias, concordo com o autor do texto. Pelas razões que invocou e outras que não invocou.
Mas, se não estou confundido, o coronel Anjos de Carvalho apresentou, há tempos, uma comunicação onde defendia a mesma designação.

Mas os 3 comentários que antecedem este são também valiosos.
O primeiro a lembrar que o Fado de Coimbra ganhou um sentido universal por isso não se confina á Lusa Atenas, e isto em diverso ambito. Alias Goes, Paredes, Zeca e outros tiveram de sair de Coimbra para continuarem a criar.
Mas é Henrique Raposo que vem colocar o dedo na ferida. Era preciso que os musicos, musicologos,estudantes etc apoiados pelas forças da cidade e da Universidade, trabalhassem a sério. Na verdade as gentes de Coimbra gostam da musica aqui gerada, mas tenho duvidas se certos intelectuais (em sentido não perjorativo) e ate os estudantes tenham já a mesma afectividade e interesse.
Não sei se será possivel "fazer o que faz falta", mas que LIsboa mostrou resentemente como se trabalha esta temática. lá isso é verdade.

Alvaro Aroso

10 de fevereiro de 2011 às 00:42  
Blogger OMEGA disse...

Antes de se fazer o trabalho na rua, deveria fazer-se em casa.
Quem apoia (não quem dá esmolas) o que há para apresentar? Quem estimula quem cria? E como?
Quem promove verdadeiramente?

Veja o caso dos últimos tempos do "Coimbra a Três Tempos" que nunca saiu do papel...

JPS

10 de fevereiro de 2011 às 12:36  
Anonymous Anónimo disse...

Meu caro JPS que, apenas pelas iniciais, não sei quem é.

Fez bem em recordar esse projecto "Coimbra a Três Tempos". É que, tendo havido envolvimento, com alguma "pompa" , das mais importantes instituições da cidade, Câmara Municipal,Universidade, AAC., etc e a maioria dos grupos de Fados, o resultado é aquele que se sabe. Não sei se foi um bom projecto financeiro para alguém, mas a mim pessoalmente,e ao grupo a que pertenço, teve o "mérito" de criar uma situação inédita ao longo de décadas da minha participação no Fado de Coimbra: foi a única vez que a entidade responsável não cumpriu as obrigações acordadas.

Mas o mais importante é verificar que um projecto destes, envolvendo a "nata" das entidades coimbrãs,teve um resultado próximo do zero, no que toca ao Fado de Coimbra.
Isto devia merecer alguma reflexão.

Alvaro Aroso

11 de fevereiro de 2011 às 14:53  

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