quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

A Cidade Tem um Rosto
l
Letra e música: Jorge Cravo

Intérprete: Jorge Cravo / Quarteto de António José Moreira* (in CD "Canções d'uma Cidade e d'um Rio", Numérica, 2010)

[instrumental]

A cidade tem um rosto
farto, casto, fatigado
um olhar a contragosto
frente ao rio castigado
nela vive em turbilhão
gente de passo apressado
que pisa o mesmo chão
de quem a vive ignorado
a cidade não tem horas
não há tempo para mais
no bulício que a devora
tudo o pouco é demais
nela vive em turbilhão
gente de passo apressado
que pisa o mesmo chão
de quem a vive ignorado

O Homem da Urze

Letra e música: Jorge Cravo

Intérprete: Jorge Cravo / Quarteto de António José Moreira* (in CD "Canções d'uma Cidade e d'um Rio", Numérica, 2010)

Era um homem mal-amado
no cenário deste mundo
que na vida é lembrado
num só verso vagabundo
homem de saber profundo
por um gesto só cuidar
guardar no bolso este mundo
novo mundo acreditar
no avesso da vaidade
longe de qualquer mentira
o seu verso de verdade
é ao vento a sua lira
homem de saber profundo
por um gesto só cuidar
guardar no bolso este mundo
novo mundo acreditar

O Malabarista da Baixa

Letra e música: Jorge Cravo

Intérprete: Jorge Cravo / Quarteto de António José Moreira* (in CD "Canções d'uma Cidade e d'um Rio", Numérica, 2010)

[instrumental]

Na miséria da má sina
num arrastar frio e lento
bebe álcool e desatina
com seu turvo olhar no tempo
num jogo malabarista
de pinos de mão em mão
vai divertindo o turista
à laia de ganha-pão
num jogo malabarista
de pinos de mão em mão
vai divertindo o turista
à laia de ganha-pão
com seu olhar vagabundo
e a lata numa só mão
ela é todo o seu mundo
triste vida de ilusão
num jogo malabarista
de pinos de mão em mão
vai divertindo o turista
à laia de ganha-pão
num jogo malabarista
de pinos de mão em mão
vai divertindo o turista
à laia de ganha-pão

Outono à Beira-Rio

Letra e música: Jorge Cravo

Intérprete: Jorge Cravo / Quarteto de António José Moreira* (in CD "Canções d'uma Cidade e d'um Rio", Numérica, 2010)

[instrumental]

O fim de tarde em Coimbra
não tem pôr-do-sol igual
melodia que nos timbra
um tom azul outonal.
Em Outubro Munda é rio
onde a brancura se pinta
traço azul do casario
numa aguarela distinta.
Coimbra a ser vivida
por dentro do seu poente
é senti-la assim esculpida
aos olhos da sua gente.
Coimbra a ser vivida
por dentro do seu poente
é senti-la assim esculpida
aos olhos da sua gente.

No seu olhar de menina
o sol de espelha com graça
no casario da colina
como fogo nas vidraças.
O ventar faz ondular
o poisar no rio da ave
branda gaivota a adejar
num planar de asas suave.
Coimbra a ser vivida
por dentro do seu poente
é senti-la assim esculpida
aos olhos da sua gente.
Coimbra a ser vivida
por dentro do seu poente
é senti-la assim esculpida
aos olhos da sua gente.

No Bulício da Noite

Letra e música: Jorge Cravo

Intérprete: Jorge Cravo / Quarteto de António José Moreira* (in CD "Canções d'uma Cidade e d'um Rio", Numérica, 2010)

À neve solar da tarde
a cidade se desnuda
num ritual cheio de alarde
o casario se transmuda
ouve o bulício da noite
respira a nova movida
cada "shot" é um açoite
que arde em desmedida
outra gente, nova gente
dá vida ao novo perfil
mas a cidade não mente
um só filho, filhos mil.
ouve o bulício da noite
respira a nova movida
cada "shot" é um açoite
que arde em desmedida

Pedro e Constança (cantiga de jogral)

Letra e música: Jorge Cravo

Intérprete: Jorge Cravo / Quarteto de António José Moreira* (in CD "Canções d'uma Cidade e d'um Rio", Numérica, 2010)

Castela nos fez chegar
mulher de nome Constança
para Pedro desposar
num contrato de aliança;
no séquito de noivado
veio Inês, dama de honor,
por quem Pedro, desvairado,
se deixou perder de amor.
No meio de tanta afeição
Pedro acabou por viver
alienada paixão
até Constança morrer.
Meio louco e depravado
por Inês, paixão cativa,
Pedro disse ter casado
sendo Constança 'inda viva.
Tanta intriga e ambição
em tal vida adulterina
levou por degolação
à morte da concubina.
No fim de tanta louca história
sobrou Constança Manuel:
morreu traída sem glória
mas cumpriu o seu papel;
foi seu filho D. Fernando
nono rei de Portugal
e o Povo efabulando
fez de Inês mártir real.

* Quarteto de António José Moreira:

António José Moreira – guitarra de Coimbra (construída em 1983, por Manuel Cardoso)
Henrique Ferrão – guitarra de Coimbra (construída em 1988, por Gilberto Grácio)
José Carlos Ribeiro – viola (Alhambra Mod. 6P)
Jorge Cravo – voz

Arranjos e composição final – António José Moreira, com a colaboração de Henrique Ferrão e José Carlos Ribeiro
Gravado nos estúdios da Quinta da Música, Grijó, e nos estúdios da Numérica, Paços de Brandão, entre Maio e Julho de 2010
Técnico de som – Jorge Fidalgo
Misturas, edição e masterização – Jorge Fidalgo, em Setembro e Outubro de 2010, no Porto (estúdio particular)

0 Comentários:

Enviar um comentário

Subscrever Enviar comentários [Atom]

Hiperligações para esta mensagem:

Criar uma hiperligação

<< Página inicial