quinta-feira, 1 de março de 2012


CANTAR DE EMIGRAÇÃO (Este parte)
Música: José Manuel Niza Antunes Mendes (1938-2011)
Letra: María Rosalía Rita de Castro (1837-1885), traduzida e adaptada por José Manuel Niza Antunes Mendes
Incipit: Este parte/Aquele parte
Origem: Coimbra
Data: 1969
Voz: Adriano Correia de Oliveira
Viola de cordas de nylon, Rui Pato; flauta, Tiago Velez

Este parte, aquele parte,
E todos, todos, se vão.
Galiza ficas sem homens
Que possam cortar teu pão.

Tens, em troca, orfãos e orfãs,
Tens campos de solidão.
Tens mães que não têm filhos,
Filhos que não têm pai.

Coração que tens e sofre
Longas ausências mortais.
Viúvas de vivos mortos
Que ninguém consolará.

Este parte, aquele parte
E todos, todos, se vão
Galiza, ficas sem homens
Que possam cortar teu pão.

Os versos cantam-se de seguida sem repetição alguma.
Esquema do acompanhamento:
1º dístico: Mi m, Sol ||Dó, Lá m, 2ªSol;
2º dístico: 2ªSol, 2ªMi, Mi m || Dó, Lá m, 2ªMI;
(Em afinação natural)

Sequência:
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Informação complementar:
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Canção gravada pela primeira vez no estilo de Coimbra por António Bernardino, acompanhado à guitarra por António Portugal e Francisco Martins e, à viola, por Luis Filipe Roxo Ferreira no LP «Flores para Coimbra», 1969. Disponível em compact disc: CD Fados e Guitarradas de Coimbra, Movieplay, MOV 30.332A, editado em 1996.
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António Bernardino canta a composição em 2/4, no tom de Mi menor. Adultera o título para «Cantiga para os que partem», estropia parte da letra, substitui o topónimo Galiza por “Ó Terra” e em vez de rematar a canção com a 1.ª estrofe, opta pelo trauteio “hum, hum, hum”, etc. que não faz parte da canção original.
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José Niza compôs esta melodia no primeiro trimestre de 1969, para servir de banda sonora a um espetáculo do CITAC (Círculo de Iniciação Teatral da Academia de Coimbra). O espetáculo viria a ser proibido pela PIDE. Em declarações de 28.3.2004, o autor informou-nos que a versão correcta do título e letra corresponde ao registo Adriano Correia de Oliveira. Niza referiu que entre 1969-2004 esta canção terá conhecido umas trinta gravações em Portugal e no estrangeiro. Nas vozes portuguesas, destacou Adriano Correia de Oliveira, António Bernardino, Isabel Sivestre e Rui Veloso. A 1.ª gravação, ou uma das primeiras, será a efectuada pelo conjunto ligeiro “Álamos” para a Sonoplay.
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Adriano Correia de Oliveira também viria a registar esta canção sob o título Cantar de Emigração no EP Fala do Homem Nascido. Porto, Orfeu, ATEP 6400, editado em 1971; LP Cantaremos, STAT 007, ano de 1970. Este intérprete vocaliza a composição em 6/8, no tom de Fá# menor (na afinação de Coimbra). A letra interpretada por Adriano corresponde à original por nós transcrita. Registo disponível em long play: álbum Memória de Adriano. Porto: Orfeu, RT LP 18011, editado em 1982, e em compact disc: Adriano. Obra Completa. Lisboa: Movieplay 35.003, ano de 1994 (CD Adriano canta José Niza, Moviplay 35.008, ano de 1994, faixa n.º 1, com viola de Rui Pato e flauta de Tiago Velez); CD Clássicos da Renascença – Adriano Correia de Oliveira, Movieplay, MOV 31.028, editado em 2000.
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Gravado pelos Antigos Orfeonistas da Universidade de Coimbra, com The London Philharmonic Orchestra, em compact disc: CD Antigos Orfeonistas da Universidade de Coimbra. Lisboa: Movieplay, PE 51.019, editado em 1995. A gravação de Isabel Silvestre, antiga solista do Grupo de Cantares de Manhouce, figura no CD A Portuguesa. Lisboa: EMI-Valentim de Carvalho, 724385385223, ano de 1996, faixa n.º 6.
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O autor da música nasceu em Lisboa em 16.9.1938 e faleceu na cidade de santarém em 23.9.2011. Estudou Medicina na Universidade de Coimbra nas décadas de 1950-1960, instituição onde se destacou como executante de guitarra e de viola. Através dos grupos de música ligeira do Orfeon Académico contribuiu para a divulgação das sonoridades do Jazz e da Bossa Nova em Portugal. Nos inícios da década de 1960 aderiu aos movimentos artísticos da Balada e da Trova, tendo optado quase em exclusivo pela viola de cordas de nylon no ciclo estético da “viola às costas”. Destacou-se como compositor, deputado e psiquiatra. Na década de 1990 coodenou na Movieplay a remasterização de antigos fonogramas editados entre 1952-1972 correlacionadas com a música de expressão conimbricense e com nomes como José Afonso, Adriano Correia de Oliveira e outros. No final dessa década (1999) coordenou na Ediclube a obra em dois tomos «Fado de Coimbra», o último trabalho de vulto conhecido que ainda integra a história da Canção de Coimbra na velha troncatura do Fado.
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Rosalía de Castro foi uma das mais importantes poetisas galegas do século XIX (Camiño Novo/Santiago de Compostela, 24.2.1837; Padrón, 15.7.1885). O poema original era uma estrofe de 12 versos, cujos dístico inicial é “Este vaise y aquél vaise,/y todos, todos se van”. O texto falava da emigração espanhola “Pra Habana”.
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Na segunda metade da década de 1980 este tema era interpretado em Coimbra por Luís Alcoforado, da formação estudantil Praxis Nova.
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Algumas presenças no youtube, mapeadas em 26.2.2012:
Adriano Correia de Oliveira/Cantar de Emigração, http://www.youtube.com/watch?v=i5Yk01TY9xA ;
Antigos Orfeonistas do Orfeon Académico da Universidade de Coimbra/Solo de Antóno Crespos Couto, http://www.youtube.com/watch?v=W3U_-TJv8Qsfeature=related ;
Isabel Silvestre/Cantar de Emigração/Concerto na Feira de S. Mateus/Viseu/2009/com Dr. João Paulo Sousa na guitarra de Coimbra, http://www.youtube.com/watch?v=Hnp5IrOIrOIJo&feature=related ;
Grupo Canção de Coimbra Rapsódia/Secção de Fado da AAC/actuação em Mondim de Basto/4.10.2010, http://www.youtube.com/watch?v=JojQbQ36BHY&feature=related .
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Transcrição (em afinação de Coimbra): Octávio Sérgio (2012)
Pesquisa e texto: José Anjos de Carvalho e António Manuel Nunes

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1 Comentários:

Blogger Vítor Fernandes disse...

Excelente trabalho documental.

1 de março de 2012 às 23:52  

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