sábado, 30 de abril de 2011

MANUEL DE OLIVEIRA PULQUÉRIO
(1929-2011) E O TEMA «BAILATA DE COIMBRA»


          No passado mês de Março partiu do nosso convívio o Doutor Manuel de Oliveira Pulquério, lente jubilado da FL/UC (Filologia Clássica) e antigo Vice-Reitor da UC (mandato do Doutor António Arruda Ferrer Correia [1912-2003, Reitor 1977-1982]; o outro Vice-Reitor foi o Doutor Luís Guilherme Mendonça de Albuquerque [1916-1992]). Foi também professor do Centro Regional das Beiras (Viseu) da Universidade Católica, chegando a dirigir a respectiva Faculdade de Letras.
            Mas o que justifica esta evocação é a ocasional autoria de quatro quadras de cariz popular, logo integradas na galáxia coimbrã. Foi assim: em 1982/04/26, Manuel Pulquério assistiu a uma actuação televisiva da Tertúlia do Fado de Coimbra (ao tempo constituída instrumentalmente por Álvaro Aroso, José Carlos Teixeira [gg.] e Mário José de Castro [v.]), que incluiu o tema «Nasce na Estrela o Mondego», cantado pelo seu Amigo José Miguel Baptista. De imediato lhe saíram então as seguintes quadras, que logo enviou a quem acabara de ouvir[1]:

                                               A cidade tem um rio,
                                               uma torre e um choupal,
                                               É a cidade menina
                                               dos olhos de Portugal.

                                               Nem lágrimas nem suspiros
chorem a minha partida,
Ser estudante de Coimbra
é ser feliz toda a vida.

Nem as lágrimas me cansam
nem a dor me satisfaz:
são saudades de Coimbra
a que o tempo não dá paz.

A vida é coisa de nada,
A morte não tem sentido:
só as águas de Coimbra
ecoam no meu ouvido.

            Rapidamente José Miguel Baptista musicou as estrofes; e assim emergiu o tema «Bailata de Coimbra», que tal como «Nasce na Estrela…», é um vira, neste caso em Lá M. Foi interpretado na RTP em 1982/11/14 (início das emissões regulares para os Açores). Tanto quanto me lembro, também foi apresentado no V Seminário sobre o Fado de Coimbra (1983, Maio). Mas nunca conheceu gravação comercial…

            Aqui deixo estes breves dados, agradecendo a José Miguel Baptista a documentação que me facultou. E perguntando: - Para quando a gravação deste (e de outros) tema(s) ?

ANEXOS:

  1. Manuel de Oliveira Pulquério em 2004.
  2. Cópia do manuscrito remetido a José Miguel Baptista (1982).

  Armando Luís de Carvalho Homem


[1] Com a seguinte dedicatória: «Dr. José Miguel: Ouvir um grande cantor inspira um pequeno poeta. M. Pulquério».

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