terça-feira, 29 de maio de 2012

António Manuel Nunes no Teatro Paulo Quintela

Saberes e representações em textos sobre o chamado “fado de Coimbra”:

um trinténio de produção de narrativas (1978-2010)

“Salvo unos cuantos exemplos aislados, el cine español no há conseguido traducir a imágenes la realidade del flamenco, en su núcleo más intenso, apesar de que lo há intentado en numerosas ocasiones. Há optado por la españolada, género híbrido, que le há permitido lucir a los artistas más populares, asegurándose así, a bajo costo, los públicos” (Maria Romero de La Cruz, Esteriotipos narrativos del Flamenco en el cine español, 2005)
António Manuel Nunes[1]

A presente abordagem procura identificar as principais publicações que entre 1978-2010 se ocuparam do universo da Canção de Coimbra (CC), designada em linguagem corrente por Fado de Coimbra. Seguindo Roger Chartier, a produção de textos é considerada um importante instrumento de construção da identidade dos cultores e de assimilação e reprodução de representações sobre o objecto em análise. Dando voz a Marc Ferro e a Suzanne Citron, a fixação de narrativas escritas é pensada como um conjunto de mecanismos de construção da memória e de transmissão filtrada de conhecimentos. Evocando o legado de Pierre Bourdieu, assume-se que as narrativas construídas podem funcionar como textos de autor, que pela sua marca crítica contribuem para a renovação do conhecimento, ou como “leituras sobre leituras”, quer dizer, sínteses não escrutinadas de dados em circulação. Da parte do autor, trata-se de um exercício de segundo nível que aponta para a construção de uma metanarrativa sobre a CC, quer dizer, uma reflexão sobre os próprios textos.

Palavras-chave: Canção de Coimbra, fado, fados, fadistas, “o chamado fado de Coimbra”, memória histórica, representações, narrativas

Antes de me adentrar na exposição do conteúdo explanado no título, gostaria de clarificar quatro pontos prévios: primeiro, sou um antigo estudante da Universidade de Coimbra, estudioso e consumidor selectivo da CC, posição que tem o seu peso cultural e emocional na minha forma mentis; segundo, não sou cultor do género na qualidade de cantor, instrumentista ou compositor, crítica que me tem sido assacada e que eu assumo com toda a naturalidade; terceiro, na qualidade de investigador e epistemólogo trabalho melhor com o conceito de CC, reconhecendo sem esforço que a expressão predominante é “fado de Coimbra” e respeitando a diversidade de interpretações fundamentadas sobre esta manifestação artística; quarto e último, conheço em profundidade as tradições académicas conimbricenses, posição que me facilita uma rigorosa abordagem dos contextos de atuação e produção das formações académicas juniores e seniores.

Este exercício de mapeamento comporta à partida uma espécie de contradição pouco recomendável. De olhos postos num género artístico performativo cujos principais mecanismos de ensino-aprendizagem são de lastro oral (bouche à l’oreille), assesta-se a lente nas fontes impressas. Ora radicando esta manifestação cultural em predominantes práticas de aprendizagem/transmissão oral, não seria mais congruente trabalhar sobre a recolha sistemática de testemunhos orais de antigos e atuais cultores? A resposta a esta constatação implica reconhecer a inexistência de um programa sistemático de recolha de fontes orais vocacionado para o estudo e reflexão sobre a galáxia sonora coimbrã.

Analisado o conteúdo das narrativas escritas produzidas entre 1978-2010, é possível sistematizar um conjunto de indicadores relevantes num estudo ainda em fase exploratória:

1 – Identificação e formação académica dos autores dos textos;

2 – Número de títulos editados, locais e datas de publicação;

3 – Conhecimentos especializados/não especializados detidos pelos autores;

4 – Grau de receptividade positiva (assimilação) ou negativa (rejeição) das publicações junto dos cultores/públicos;

5 – Papel desempenhado pelas narrativas na consolidação ou refutação dos conhecimentos existentes;

6 – Períodos/ciclos estéticos abordados ou silenciados pelos narradores

7 – Composições vocais e instrumentais referenciadas ou omitidas

8 – Narrativas passivas versus problematizações e prospecções teórico-conceptuais

9 – As fontes utilizadas pelos signatários dos textos

Numa fase mais adiantada da pesquisa, uma segunda linha de abordagem procurará reflectir sobre as funções dos textos, ou seja, tentará averiguar com que fim estes foram produzidos. Também aqui se torna possível assinalar um conjunto de enunciações expressivas marcadas por narrativas escrutinadas cientificamente e outras que se contentam em reproduzir informação disponível ou enunciar elementos factuais e crono-biográficos.

Concretizando com exemplificações:

  • Fixar memória contra o esquecimento resultante da passagem do tempo ou dos usos ideológicos do património oral imaterial

Colocaríamos nesta tendência Divaldo Freitas, Afonso de Sousa e os textos produzidos no âmbito dos seminários realizados entre 1978-1998: I (maio de 1978); II (maio de 1979); III (maio de 1980); IV (maio de 1981); V (maio de 1983); VI (maio de 1998).


  • Reforçar e legitimar tomadas de posição estético-culturais

Textos assinados por atores como António Portugal, António Brojo, Jorge Cravo, José Manuel Beato, Virgílio Caseiro, José Firmino.


  • Confirmar os saberes pré-existentes e reafirmar o fechamento de fronteiras sobre o objecto
Sinalizámos uma linha de fechamento externo dos discursos, subscrita por nomes como José Morais (1982), Eduardo Sucena (1992),Paul Vernon (1997), Carlo Giacobbe (2009). Estes autores reafirmam os estereótipos mais comuns (Romero de La Cruz, 2005), não referenciam os aportamentos estéticos dos movimentos experimentalistas e/ou de ruptura, rejeitam as teorias da CC e abordam o chamado fado de Coimbra numa lógica de sinalização das “principais diferenças entre Fado de Coimbra e Fado de Lisboa”[2], um passatempo urbano cujas respostas são antecipadamente conhecidas (Bagli). Trata-se daquilo que podemos designar por “Visão iceberg”[3] que valoriza o estereótipo visível e imaginado (cerca de 30% de elementos constitutivos), omitindo os elementos submersos ou ocultos que constituem cerca de 70% do fenómeno CC[4].
Mapeámos também uma expressiva linha de fechamento interno, constituída por percepções de antigos cultores da CC que não aceitam como legítimas as propostas artísticas de José Afonso, Adriano Correia de Oliveira, António Portugal, Luiz Goes, João Bagão, Carlos Paredes, José Firmino ou Jorge Cravo. Este segmento, percentualmente significativo, tem apostado na produção de três contra-argumentos repousantes em processos comunicativos orais: a) as trovas, baladas e similares das décadas de 1960-1970 não se poderão considerar integráveis nas fronteiras do chamado “fado de Coimbra”; b) as composições cuja melodia, letra e harmonização não sejam imediatamente trauteáveis e reconduzíveis a um corpus pré-reconhecível são sinónimo de arte degenerada (equívoco resultante de enunciados consolidados pelos sistemas de propaganda dos regimes ditatoriais europeus); c) a expressão CC é inaceitável “porque sempre ouvimos dizer e sempre dissemos Fado de Coimbra”.


  • Problematizar o conhecimento acumulado e aprofundar os saberes sobre autores, épocas e contextos de produção cultural
Produções assinadas por Afonso de Sousa, Francisco Faria, Vera Lúcia Vouga, António M. Nunes, José Manuel Beato.

  • Homenagear um artista/cultor ou evocar a sua memória e legado
Trabalhos assinados por António M. Nunes (1999 e ss.), Jorge Cravo (1994 e ss.), Armando Luís de Carvalho Homem (1997 e ss.), Rui Moreira Lopes (2008), Manuel Marques Inácio (2007 e ss.), Ana Maria Lopes (2008).

  • Apoiar o processo de ensino/formação
Métodos e manuais produzidos por Paulo Soares (1997; 2007), José dos Santos Paulo (2007), Eduardo Aroso (2000).

·         Recolher/preservar/comunicar

Diversas produções de Carlos Caiado/Paula Andrade (1986), Octávio Sérgio (2005 e ss.), António M. Nunes (1990 e ss.), José Anjos de Carvalho (1990 e ss.) em matéria de inventariação de reportórios fonográficos e de recolha e divulgação de composições. Octávio Sérgio iniciou no blogue Guitarra de Coimbra de 7.3.2005 a edição de partituras de peças instrumentais. A partir de 17.9.2005, no mesmo blogue, Octávio Sérgio transcreveu e editou dezenas de solfas de composições enquadradas por José Anjos de Carvalho e António M. Nunes, fazendo do ciberespaço um repositório aberto e democraticamente participado.

  • Estudar determinados autores e épocas
Cabem neste segmento a maior parte dos estudos produzidos por José António Soares (1986), José Anjos de Carvalho (1995 e ss.), Armando Luís de Carvalho Homem e José Niza (1994 e ss.).

  • Conhecer os processos de ensino-aprendizagem
Produções assinadas por Eduardo Aroso (2000) e Fernando Marques (2007).
I – Corpus narrativo fixado entre 1978-2010
O mapeamento do corpus narrativo enunciado sobre as multivisões e percepções incidentes na galáxia sonora coimbrã[5] foi obtido a partir de publicações em suporte analógico e digital. Até ao final do século XX predominam os textos impressos em livros, capítulos de livros, revistas, jornais, livretos integrados em registos fonográficos e catálogos de exposições. São em geral obras marcadas por pequenas tiragens, difíceis de encontrar.
Neste exercício de mapeamento entendemos alargar as fronteiras das enunciações, englobando narrativas produzidas para guiões de programas televisivos como o Tempo(s) de Coimbra/RTP 1 (1983) e produtos multimédia, deixando para momento ulterior a literatura memorialística e turística, peças de imprensa dispersas e narrativas de (re)produção de “comunidade musical imaginada” (Benedict Anderson, 2005; João Soeiro de Carvalho, 1996)[6].
Na 1.ª década do século XXI assiste-se a uma mudança de paradigma comunicacional. Densificam-se as postagens no ciberespaço, independentizadas do controlo universitário e do filtro iniciático das editoras[7]. Aberto em 5.3.2005 pelo antigo estudante, compositor e guitarrista Octávio Sérgio, o blogue Guitarra de Coimbra transformou-se rapidamente numa plataforma de encontro de leitores, partilha de informação, discussão de problemas, edição monumental de fontes, recolha e divulgação de composições, publicação de estudos em linha, mas também de tentativa de controlo dos autores/agentes/discursos considerados ilegítimos através da produção maciça de comments por cibernautas anónimos (o blogue registava 294.129 acessos em 21.4.2012).
As redes sociais e as novas tecnologias da comunicação escancaram as portas a uma espécie de revolução electrónica na galáxia sonora. Podemos então falar em terceiro tempo da galáxia sonora,“Ciber-Canção de Coimbra”, ciberconsumidores, ciberprodutores e cibercultores, cibersurfistas anónimos e desterritorializados, correio electrónico, mp3.
Num primeiro exercício de síntese apresentamos a seguinte distribuição de dados:
Autores masculinos/femininos
A quase totalidade dos textos mapeados é assinada por autores do sexo masculino, coincidindo a maioria dos signatários-autores com o papel de cultor do género. Em 1986 Paula Andrade co-assina com Carlos Caiado uma georreferenciação. Em evidência pela sua novidade de olhar exógeno distanciado, consistência e potencial teórico, o texto de uma professora da Faculdade de Letras da UP, Vera Vouga (1991). A Prof. Salwa Castelo-Branco, da FCSH/UNL, regista dois textos e Ana Maria Lopes um. Em 113 registos, 107 são masculinos, 5 femininos e um em co-autoria.
Autores que valorizam a abordagem biográfica
A narrativa predominante é o género biográfico, cuja matriz foi lançada por Divaldo Gaspar de Freitas em trabalhos publicados entre 1967-1972. Assinam explorações biográficas e bio-fonográficas José Niza, José Anjos de Carvalho, António M. Nunes, Armando Luís de Carvalho Homem, Jorge Cravo, Rui Lopes e Manuel Marques Inácio.
Tipo de abordagem espácio-temporal
O modelo de abordagem mais praticado pelos cultores-narradores sugere uma leitura diacrónica estruturada em décadas e vinténios dispostos sequencialmente. É o modelo adoptado pela formação António Brojo/António Portugal no programa televisivo Tempo(s) de Coimbra (1983) e na antologia fonográfica Tempo(s) de Coimbra/Oito décadas no canto e na guitarra. É um modo de ver tributário da modernidade, que concebe a CC como um combóio em trânsito contínuo.
O principal problema que se coloca é que querendo mostrar tudo, corre-se o risco de seleccionar duas a três composições por década, penalizando a pluralidade de produções/reportórios/tendências coexistentes em cada ciclo estético. Parece-me mais procedente abordar épocas, autores, movimentos, tendências e temáticas de forma integrada, abandonando as leituras lineares.
Olhando ao meio académico conimbricense (formações juniores e seniores), até ao momento presente nenhum dos exercícios conhecidos em registo fonográfico/multimédia conseguiu recuar a montante da década de 1890, o que parece confirmar duas evidências: a) falta de investigação sistemática sobre o objecto; b) o peso do mito criacionista hilariano[8].
Replicando a fala de Galileu, “E pur se muove”. Basta acompanhar o monumental trabalho realizado desde a década de 1980 pelo Grupo Folclórico de Coimbra, sob a direcção do Prof. Nelson Correia Borges, e as reconstituições de serenatas festivas futricas orientadas para a recriação das recuadíssimas Tricana d’Aldeia, Moreninha, Fado Atroador e Noite Serena.
As abordagens sincrónicas e epocais têm sido praticadas no âmbito de evocações de atores como Nuno Guimarães (1997), Luiz Goes (1998) e Flávio Rodrigues da Silva (2002). Nestes casos privilegia-se a prospecção da produção reportorial de uma determinada época ou movimento artístico. Iluminam este ângulo de interpelação os trabalhos assinados por Armando Luís de Carvalho Homem entre 1996-2010, António M. Nunes (1999, 2002) e Jorge Cravo.
Relativamente ao espaço, as abordagens da CC são esmagadoramente territorializadas na própria cidade de Coimbra[9], nos lugares míticos da memória das antigas serenatas de cortejamento e em monumentos emblemáticos. Algum esforço de alargamento se tem notado neste campo. Carlos Caiado/Paula Andrade tentaram associar composições de temática regional a determinadas localidades portuguesas (1986) e Armando Luís de Carvalho Homem contribuiu para o conhecimento da prática da CC na Academia do Porto (1999).
Tendo em conta as percepções orais dos actores, o processo “Ciber-Canção de Coimbra” e o movimento crescente de profissionalização associado à abertura de casas de prática artística, perguntamos: as formações activas em Lisboa, Porto, Braga, etc., são consideradas mundos da galáxia sonora ou são vistas como asteróides que perturbam a integridade da galáxia coimbrã?[10] Até que ponto a desmaterialização ao nível das práticas de comunicação da CC secundariza os espaços físicos citadinos conimbricense? Qual o espaço de manobra reservado aos lugares românticos e às práticas amadorísticas ante uma “indústria cultural” profissionalizante (Adorno, Horkheimer) em processo de afirmação?
Perfis dos autores mais lidos
O perfil predominante do autor-produtor de textos é configurado por antigos ou atuais cultores da CC com elevado grau de ligação afectiva, simbólica e por vezes familiar à Universidade de Coimbra.
Afonso de Sousa era formado em Direito pela UC, executante de guitarra e violão, compositor.
Francisco Faria era formado em Direito pela UC, professor de História da Música na FL/UC, com estreita ligação à regência de grupos corais académicos (Coral dos Estudantes da FL/UC).
Armando Luís de Carvalho Homem, formado pela Universidade do Porto, é filho de um renomado guitarrista activo na década de 1940. Executante de viola de acompanhamento desde a juventude académica, domina os elementos “ocultos” do iceberg ou galáxia sonora e convive assiduamente com membros de formações.
Jorge Cravo é formado em História pela FL/UC, cantor em diversas formações e compositor.
José Manuel Beato é formado em Filosofia pela FL/UC, cantor e compositor em múltiplas formações.
António Manuel Nunes é formado em História pela FL/UC e investigador de costumes estudantis.
António José Soares e Alberto Sousa Lamy também fizeram a sua formação na FD/UC, dedicando-se ambos ao estudo da cultura académica.
José Niza era formado na FM/UC, antigo executante de guitarra e viola, e compositor.
José Anjos de Carvalho iniciou-se em formações de serenatas no Liceu de Évora e em Lisboa manteve intensa ligação com formações de antigos estudantes de Coimbra.
Rui Moreira Lopes é formado em História pela FL/UC e estudioso de costumes académicos.
José Mesquita é formado pela UC e membro do seu corpo docente, com ligações a organismos académicos, à CC e autor de expressivo reportório.
Fernando Marques é formado em Sociologia pela FE/UC, executante de guitarra e estudioso do fenómeno.
Exercícios à margem do mundo académico
As narrativas sobre a história, práticas e caminhos possíveis da CC têm sido produzidas fora das universidades e politécnicos. Estamos em presença de uma temática considerada não assunto académico que se ressente da formação intelectual das elites portuguesas que continuam a valorizar a clássica distinção entre alta e baixa cultura e entre artes maiores e artes menores.
Embora Francisco Faria fosse docente da cadeira de História da Música na FL/UC, a sua incursão de 1980 não teve seguimento. Apesar das insistentes recomendações formuladas por cultores da CC e antigos estudantes presentes em pelo menos oito seminários/fóruns realizados entre maio de 1978 e novembro de 2003, a UC não concebeu linhas de investigação sobre a temática. A primeira tese de mestrado, apresentada por Fernando Marques à Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação/UC é de 2007.
No que respeita à cultura corporativa das escolas locais de ensino-aprendizagem, não temos conhecimento de programas sistemáticos de recolha de testemunhos orais ou orientados para a edição de trabalhos de investigação. As escolas em funcionamento na cidade de Coimbra têm privilegiado o processo de ensino-aprendizagem de prática de cordofones e de canto em contexto oral, replicando os métodos de aprendizagem rurais e peri-urbanos associados à frequência da casa de um tocador-agricultor ou do guitarrista-barbeiro. A não publicação de instrumentos de divulgação, como sejam guias gerais, roteiros, composições emblemáticas de determinados ciclos artísticos, cronologias, confere à CC um estatuto de menoridade cultural quando confrontada com os programas de estudo e divulgação do Tango, do Samba, do Flamenco, da Canção Napolitana e das Serenata e Serestas do Brasil.
O Instituto de Etnomusicologia e Dança da FCSH/UNL também não convocou a CC enquanto objecto sistematicamente investigável, não obstante alguma aproximação intentada pela Prof. Salwa Castelo-Branco.
Dir-se-ia que a instituição académica que mais contribuiu para a reflexão sobre a CC foi a Faculdade de Letras/UP, através dos docentes Vera Lúcia Vouga e Armando Luís de Carvalho Homem.
Na passagem da primeira para a segunda década do século XXI assinala-se a existência de uma proliferante historiografia sobre a CC, não raro positivista e diletante, a que faltam o condimento metodológico e conceptual do saber etnomusicológico. Por analogia com as boas práticas de inventariação, descrição e conservação em uso nas áreas de biblioteca, arquivo e museu, reconhece-se a importância dos inventários fonográficos, dos inventários repertoriais e da exegese fonográfica. Mas entende-se que uma historiografia da CC passa necessariamente por uma reflexão pluridisciplinar, ancorada numa leitura estrutural que problematize de forma integrada os discursos nomotéticos, monoculturais, pluriculturais, contraculturais, as enunciações escritas e as percepções orais[11].
Como explicar a não inscrição da CC na agenda académica? No caso da UC, pode dizer-se que há um desinteresse resultante de preconceito ideológico e desconhecimento dos membros do corpo docente. Uma atitude que possivelmente virá a modificar-se com a implementação de uma avaliação de desempenho que tenha em conta indicadores focalizados na qualidade, o grau de satisfação dos clientes e a necessidade de fidelizar clientes. No caso de outras universidades, parece ter havido algum interesse pela temática, interesse esse que talvez tenha sido desencorajado por uma comunidade conimbricense de praticantes pouco acolhedora.
Oito encontros, zero atas
A produção sinalizada até ao momento (Abril 2012), não cobre toda a prática discursiva conhecida. A maior parte das comunicações, declarações e recomendações formuladas no âmbito dos seis seminários realizados em 1978, 1979, 1980, 1981, 1983, 1998[12] e dos dois encontros agendados para 2003[13] não foram editados em atas.
Entre 1978-1983 foram entidades promotoras dos eventos referidos a Câmara Municipal de Coimbra e a Associação dos Antigos Estudantes de Coimbra. Em 1998 a Secção de Fado da AAC. Em 2003, a Câmara Municipal de Coimbra e o Museu Académico de Coimbra.
Causa alguma perplexidade ao investigador revisitar estes oito encontros, cuja produção documental é inexpressiva, ao ponto destes eventos serem considerados inexistentes por quem não conheça em profundidade os recantos da galáxia sonora.
Seguidamente apresentamos seis linhas explicativas abertas à discussão sobre os possíveis significados do não registo das comunicações, teses, recomendações e questões fracturantes apresentadas nos seminários e fóruns:
·         a aporia de que a CC para ser conhecida tem de ser vivida e gostada misticamente, sendo inúteis os estudos e as reflexões teóricas;

·         a aporia de que não se deve partilhar o conhecimento sobre a CC com “estranhos” à galáxia sonora;

·         a aporia segundo a qual a história da CC coincidiria com os relatos vivenciais, gostos e rememorações dos cultores seniores e juniores;

·         a aporia segundo a qual as composições e arranjos são de origem popular, entendimento resultante da assimilação do processo de folclorização elaborado no período do Estado Novo (João Soeiro de Carvalho, 1996) que sobrevalorizava o anonimato da criação e da execução;

·         a aporia de que só é legítimo historiar as práticas centradas em atores e formações domiciliadas em Coimbra;

·         a aporia de que só quem é natural de Coimbra é que conhece os segredos e mistérios em que repousaria a CC, postura que interage com percepções complexas como verdade, essência, autenticidade e pureza, percepções que a etnomusicologia não sanciona.

Em minha opinião, não se publicaram atas com o registo das questões, declarações, recomendações e querelas levantadas nos cinco seminários realizados entre 1978-1983 porque estas matérias não eram consideradas dignas de publicação. Muitos dos congressistas, incluindo oradores convidados, discutiam acaloradamente questões cientificamente não pertinentes como o dilucidar se a causa mortis de Augusto Hilário fora tísica pulmonar, cirrose ou sífilis. Em 1983, no último encontro ainda dominado pela forma mentis dos antigos estudantes formados antes de 1974, o verniz do chamado espírito académico estalou e os membros de diversas formações viraram costas num clima polvilhado de azedumes.
Os números
Ensaiando uma distribuição dos trabalhos sinalizados por décadas, temos a seguinte amostragem quantitativa (113 entradas):
1972-1980: 4 publicações
1981-1990: 16 publicações
1991-2000: 33 publicações
2001-2010: 57 publicações
2011-…: 3 publicações
A década da “Ciber-Canção de Coimbra (ca. 2001-2010), com 57 publicações apuradas supera a totalidade das edições mapeadas entre 1972-2000, que perfaz 53 obras.
Como interpretar este diferencial que assinala a transição da galáxia oral e tipográfica para a galáxia electrónica, quando se sabe que nas décadas de 1980-1990 houve intensa procura/consumo interno e externo? Recordemo-lo, foram os anos da invenção de serenatas monumentais nas novas universidades e politécnicos.
O problema de fundo parece prender-se com a rigidez dos instrumentos de comunicação convencionais, rádio, televisão, jornais, livreiros, editores fonográficos e inércias dos mecanismos de transmissão oral.
Crise, qual crise?
O conceito de crise é uma formulação laica da modernidade, resultante da transposição da visão providencialista judaico-cristã do tempo e das idades míticas. O que se discute desde o século XVII é se a cultura produzida no presente é tão válida ou mesmo superior quando comparada com um suposto modelo de perfectibilidade “in illo tempore” que pode ser o idílico jardim do Éden, o cristianismo primitivo, a Atenas da liderança de Péricles ou a Roma da época de Octávio César Augusto. À luz desta visão, as culturas nascem, crescem e morrem, ou vivem estádios de ouro, prata e cobre.
A ideia de crise acentuou-se desde a Revolução Francesa de 1789, associada às democracias parlamentares e aos movimentos artísticos ocidentais que apostaram na ruptura e nas proclamações de morte dos sistemas culturais e éticos que tolhiam caminho às ideologias do “progresso”.
A ideologia das idades míticas está presente nas narrativas sobre o Tango, cujos estudiosos individualizam uma “Idade do ouro” (1920-1935)[14] e na CC, que ao nível das narrativas elaboradas no final da década de 1970 e na primeira metade do decénio de 1980 passou a falar recorrentemente em “Década de Oiro” (ca. 1920-1930)[15] e em “Segunda Década de Oiro” (ca. 1952-1960)[16].
Na galáxia sonora coimbrã, a consciência de crise emerge na década de 1920 com o primeiro modernismo presencista protagonizado por Edmundo Bettencourt/Artur Paredes, prosseguindo na década de 1950 com as formações da liderança de António Brojo/Florêncio de Carvalho (Tertúlia do Calhabé) e António Portugal/Machado Soares (Coimbra Quintet). Densifica-se na década de 1960 com as prestações das segundas vanguardas (Balada, Trova Nova, Novo Canto) e a erradicação das práticas em cenários públicos (1969 e ss.). É retomada após 1976 por atores como José Mesquita (transvanguardas), Jorge Cravo e José Manuel Beato. Este último alicerçaria os fundamentos de uma hermenêutica da CC e as linhas de força para uma abordagem estética do género, tendo debatido na transição da década de 1990 para os inícios do século XXI o problema da(s) crise(s) de sentido.
Relativamente às declarações de uma CC em estado de crise, para a época em análise enunciamos as seguintes reflexões aceitando que “Um dos conceitos mais confusos aplicados ao domínio da história é o de decadência” (Le Goff, 1984):

·         Ao nível das formações juniores e seniores activas em Coimbra, a ideia/consciência de crise instalada apenas é cultivada por um número diminuto de intelectuais;

·         Ao nível das formações juniores e seniores activas fora de Coimbra, a ideia de crise não existe;

·         Ao nível dos diversos perfis de públicos internos e externos, a ideia de crise é inexistente e a sua simples afloração suscita perplexidade, repúdio e incompreensão;

·         A estruturação de acontecimentos em idades míticas ou estádios de degradação e a sua presumível marcha em direcção a um qualquer fim (teleologia) é um conceito teológico e ideológico não aplicável em sede de uma abordagem científica da CC[17];

·         Os discursos de dessacralização e abertura dos movimentos artísticos não são exclusivos da CC. Ao longo do século XX, a proclamações de erradicação dos patrimónios culturais fechados e reconhecíveis atravessaram a pintura, a escultura, a arquitectura, a literatura, a dança, a música erudita. Todos eles, de forma mais ou menos escandalosa, puseram em causa os conceitos considerados sólidos e imutáveis do que era comummente aceite como o bom gosto, a beleza, a harmonia, a autenticidade, a pureza, o monoculturalismo. Após a Segunda Guerra Mundial emergiram e legitimaram-se novas sensibilidades assentes no multicultural, no degradado, no feio, no desterritorializado, no relativismo, na pluralidade de abordagens sobre o mesmo objecto, na incorporação de contributos[18]. Citemos o escândalo causado pelas experiências musicais de John Cage (1912-1992) desde 1952; pelo Nuevo Tango de Astor Piazzolla (1921-1992) a partir de 1960 com o Quinteto Tango Nuevo; pelo Movimento da Balada de José Afonso/Rui Pato (1961), pelo Movimento da Trova com António Portugal/Adriano Correia de Oliveira/Manuel Alegre/António Bernardino (1961); pelo Novo Canto de Luiz Goes/João Bagão/António Andias/Leonel Neves (1967 e ss.); a revolução desencadeada por Amália Rodrigues (1920-1999) no âmbito do Fado artístico de Lisboa, ou Pina Baush (1940-2009), desde 1976 em rompimento com o legado do teatro-dança. Género artístico aberto e em mutação, a CC deixa de ser um campo aprioristicamente reconhecível. Assim sendo, deixam de ser entendidas como legítimas a formulação de postulados vocacionadas para o dizer o que é (exercícios definitórios), o que deverá ser e qual o reportório praticável[19]. A resposta a esta polémica foi recorrentemente bem respondida por António Portugal entre as décadas de 1960-1990: o estudante-cultor de cada época constrói a CC de acordo com as suas circunstâncias de tempo, espaço e formação cultural[20]. Um processo de dessacralização que inscreve a CC nas contingências do devir.
II – Corpus documental mapeado
Divaldo Gaspar de Freitas, Emudecem rouxinóis do Mondego (São Paulo: Editora Comercial Safady Lda., 1972, 129 p.). Primeiro levantamento sistemático de biografias de cultores suportado por registos paroquiais, livros de matrículas, fotografias e fono-inventários.
Armando Simões, A guitarra. Bosquejo histórico (Évora: Edição do Autor, 1974, 252 p.). Antigo estudante da Escola de Regentes Agrícola de Coimbra, coleccionador e estudioso da guitarra, político. Trata-se do primeiro estudo de fundo sobre a presença, evolução organológica e práticas da guitarra em Portugal. Estudo conhecido e citado por alguns dos conferencistas presentes nos primeiros seminários do Fado de Coimbra (1978 e ss.).
Afonso de Sousa (1906-1993), O fado propriamente dito e o “chamado fado de Coimbra” (Coimbra: Boletim da Associação dos Antigos Estudantes de Coimbra, n.º 13, julho de 1978, pp. 19-31). Antigo estudante da FD/UC, executante de guitarra e viola, compositor amador, poeta, advogado em Leiria. Ensaio apresentado no 1.º Seminário do Fado de Coimbra, que teve lugar em Coimbra em 20 e 21 de maio de 1978. Esta tese gerou alvoroço em Coimbra entre os antigos estudantes de diversas gerações e foi condenada pelos conservadores e fadistas activos em Lisboa. Texto editado com anotações de António M. Nunes no blogue Guitarra de Coimbra I, http://guitarradecoimbra.blogspot.com/, de 17.9.2005.

Francisco Faria, Fado de Coimbra ou serenata coimbrã? (Coimbra: Comissão Municipal do Turismo, 1980). Antigo estudante da FD/UC, professor da cadeira de História da Música na FL/UC, regente de coros. Ensaio teórico e musical sobre a pertinência da expressão fado de Coimbra. Comunicação apresentada no 3.º Seminário do Fado de Coimbra, realizado na cidade de Coimbra em maio de 1980. Reprodução integral no blogue Guitarra de Coimbra I, http://guitarradecoimbra.blogspot.com/, de 8.9.2005.

Afonso de Sousa, O canto e a guitarra na década de oiro da Academia de Coimbra. 1920-1930 (Coimbra, Comissão Municipal do Turismo, 1981). Texto apresentado no 4.º Seminário do Fado de Coimbra, maio de 1981. Retoma em grande parte o que o autor já tinha escrito em “Breve notícia de uma geração artística em colaboração com o Orfeon Académico” (Coimbra: Bodas de Diamante do Orfeon Académico, 1955, pp.93-109). Segunda edição aumentada e revista (Coimbra: Coimbra Editora, 1986, 83 p.). Socorre-se de investigação publicada pelo antigo estudante da Faculdade de Medicina/UC radicado no Brasil Divaldo Gaspar de Freitas (1912-2003)[21], nomeadamente: “Lucas Junot. A saudade de Coimbra” (Boletim da AAEC, n.º 10, dezembro de 1970, pp. 27-34, datado de julho de 1968), e o pioneiro Emudecem rouxinóis do Mondego (1972) com dados fotobiográficos, cronológicos e fonográficos sobre Augusto Hilário, Manassés de Lacerda, Artur Almeida d’Eça, Albano de Noronha, Lucas Junot, Armando do Carmo Goes, D. José Paes de Almeida e Silva, José Paradela de Oliveira. Cita ainda o vasto estudo do médico veterinário, político e estudioso de guitarra Armando Simões, A guitarra. Bosquejo histórico (1974).

António Rodrigues Lopes, A sociedade tradicional académica coimbrã. Introdução ao estudo etnoantropológico (Coimbra: s/e, 1982, 328 p.). Natural de Coimbra, profissional de comunicações em Lisboa, aflorou as tradições académicas e a captura da praxe nos sixties como objecto de trabalho de licenciatura em Ciências Antropológicas e Etnológicas. Segue uma perspectiva funcionalista conservadora. Nas páginas 117-123 aborda “O foro musical coimbrão”. Segmenta a leitura diacrónica em décadas, iniciando com Augusto Hilário no decénio de 1890 e rematando na década de 1960.

José Ribeiro de Morais, Fados e canções de Coimbra (Porto: s/e, 1982, 161 p.). Cultor da CC profissionalmente domiciliado no Porto. Obra reeditada com o título Colectânea de fados e canções de Coimbra (Porto: Almeida & Leitão, 1998, 259 p.). A 1.ª edição foi profusamente vendida em Coimbra na década de 1980. A obra, nas duas edições, contém extensos erros de títulos e de autorias, bem como duplicação de composições. Não identifica as fontes fonográficas de que se serviu o autor. O prefácio da 2.ª edição regista uma tomada de posição contra os aportamentos estéticos das décadas de 1960-1970. Não distingue entre reportório da CC e “Coimbra Spaghetti”.

António Pinho de Brojo (1928-1999) e António [Jorge Moreira] Portugal (1931-1994), Tempo(s) de Coimbra. Oito décadas no canto e na guitarra (Lisboa: Leonel de Brito/Jorsom, 1984). Projecto desenvolvido entre 1982-1983 pelo Grupo de Guitarras e Cantares de Coimbra constituído pelos instrumentistas António Brojo/António Portugal (gg) e Aurélio Reis/Luís Filipe Roxo (vv), com apresentação inicial no programa da RTP1 “Tempo de Coimbra” (1983). Antologia sonora organizada por décadas: LP 1, Do princípio do século [XX] até ao fim dos anos 20 (12 obras vocais); LP 2, Anos 30 e 40 (12 temas vocais; LP 3, Anos 50 e 60 (11 temas vocais); LP 4, Anos 70 e 80 (12 temas vocais); LP 5, Guitarra/Do princípio do século até ao fim dos anos 40 (12 peças instrumentais); LP 6, Dos anos 70 aos anos 80 nas guitarras de António Brojo e António Portugal (12 peças instrumentais). Acompanha o projecto um livreto, “Tempo(s) de Coimbra/Oito décadas no canto e na guitarra”, ilustrado, contendo o guião narrativo de enquadramento de cada um dos discos, excertos de notícias de imprensa, a ficha técnica de cada LP e fotobiografias. Asseguram o canto Alfredo da Glória Correia, António Bernardino, Fernando Machado Soares, Fernando Rolim, José Mesquita, Luiz Goes e António Marinho. A obra segue o esquema clássico praticado nos saraus académicos, com separação entre momento de “fados” cantados e momento de “guitarradas”. Todas as peças comportam arranjos de acompanhamento. A ficha técnica, na parte relativa aos metadados contém lacunas, que se acentuam no período balizado entre 1900-1945. Obra de síntese, deixa na sombra diversos movimentos e artistas. A antologia seria reeditada em 1990 (vinil) e ulteriormente em cd. Fazia parte das prendas institucionais de prestígio no reitorado de Rui Nogueira Lobo de Alarcão e Silva (1982-1998).

Mário Correia, Música popular portuguesa. Um ponto de partida (Coimbra: Centelha/Mundo da Canção, 1984, 382 p.). Estudioso de música tradicional e do canto de intervenção. Com abundante informação sobre cultores da CC que influenciaram directa ou indirectamente a música de intervenção nas décadas de 1960/1970.

Carlos Manuel Simões Caiado e Paula Andrade, Antologia do Fado de Coimbra (Coimbra: Edição do Autor, 1986, 214 p.). Estudante de Ciências na UC, executante de viola de acompanhamento, sócio da Secção de Fado da AAC. Regista a melodia e letra de 55 composições obtidas através de transmissão oral e de registos fonográficos efectuados ao longo do século XX, cobrindo um período balizado entre finais do século XIX e 1982. Contém imprecisões de autorias.

António José Soares, Saudades de Coimbra. 1900-1949 (3 volumes, Coimbra: Almedina, 1986). Antigo estudante formado na Faculdade de Direito/UC, membro da comissão instaladora do Museu Académico, investigador e especialista em história das vivências estudantis (1916-2002)[22]. Faz um exaustivo mapeamento de informação sobre “Fados e guitarradas” com base em programas artísticos e notícias de imprensa. Trabalho positivista, em todo o caso pioneiro, porquanto iniciado por volta de 1942.

Mário Correia, Adriano Correia de Oliveira. Vida e obra (Coimbra: Editora Centelha, 1987, 237 p.). Contém transcrição das letras gravadas e inventário fonográfico.

Nelson Correia Borges, Coimbra e região (Lisboa: Editorial Presença, 1987, 259 p.). Professor de história da arte na Faculdade de Letras/UC e folclorista. A páginas 51-53 aborda “O canto e a guitarra de Coimbra”. Regista os contributos teóricos carreados desde o seminário de 1978 (Afonso de Sousa, Francisco Faria), faz recuar cronologicamente a prática das serenatas, insere informação sobre a prática da CC pela população futrica, refere a evolução da tocata e deixa notas sobre as diferentes sensibilidades estéticas.

As histórias que a Guitarra conta, Dezembro 1987 – Janeiro 1988 (Lisboa: Edição do Instituto Português do Património Cultural, 1988, 80 p.). Exposição realizada em Lisboa, na Torre de Belém, sobre a cítola, o cistro e presença da guitarra no Porto, Coimbra, Lisboa e Alentejo, artefactos do trabalho do guitarreiro, acessórios do guitarrista, Amadeo [Sousa-Cardozo] e a guitarra, Fernando Pessoa, o fado e a guitarra, bibliografia e discografia.

Afonso de Sousa, Do Choupal até à Lapa. Recordações de um antigo estudante de Coimbra (2.ª edição, Coimbra: Coimbra Editora, 1988). Antologia de textos publicados desde 1955 sobre a geração de Artur Paredes/Edmundo Bettencourt, Albano de Noronha[23], José Paradela de Oliveira[24], Armando Goes, entre outros.

João Inês Vaz e Júlio Cruz, Augusto Hilário. A alma do fado coimbrão. Breves apontamentos (Viseu: Câmara Municipal de Viseu, 1989, 48 p.). Bio-cronografia documentada com registos de nascimento e óbito, fotografias, recortes de imprensa, regista os usos da memória de Augusto Hilário na cidade de Viseu. O trabalho resultou de uma deliberação tomada pela Câmara Municipal de Viseu em 28.11.1988, que se traduziu na realização de uma serenata conjunta com a AAC. A recolha de dados junto dos familiares de Augusto Hilário e nos arquivos foi realizada por João Inês Vaz na qualidade de coordenador do Gabinete de História e Arqueologia da CMV.

Afonso de Sousa, Ronda pelo passado. Memórias de um antigo estudante do Liceu Rodrigues Lobo, em Leiria, e da Fac. de Direito da Univ. de Coimbra. 1915-1930 (Coimbra: Coimbra Editora, 1989, 87 p.). Com importante informação sobre a juventude académica de Afonso de Sousa, convívio com Artur Paredes, serenatas em Leiria.

António José Soares, Breve História da Tuna Académica da Universidade de Coimbra (Coimbra: Separata do Arquivo Coimbrão, Vol. XXX1-XXX11 – 1888-9, 1990, 24 p.). Compreende uma Introdução e de 1962 a 1974 os dirigentes da TAUC, viagens e reportório, onde constam numerosos nomes de cultores do chamado Fado de Coimbra.

Alberto Sousa Lamy, A Academia de Coimbra. 1537-1990 (Lisboa: Rei dos Livros, 1990). A páginas 721-740 dedica um longo capítulo a “O Fado de Coimbra”. Antigo estudante da Faculdade de Direito/UC, advogado radicado em Ovar, estudioso da história de Ovar e da Ordem dos Advogados. Não sendo propriamente inovador, apresenta uma narrativa “événementielle” que não escamoteia o “ciclo da banza”, as polémicas sobre as origens desta manifestação artística e a questão da designação. Centra a ordenação cronológica nos principais protagonistas de cada época, indicando para cada um seleccionados uma composição emblemática. Referencia a questão da “Morte (1969) e ressurreição do Fado (maio de 1978)”.

António M. Nunes, O foro académico musical. Individualização de um discurso musical-semântico (Coimbra: Munda/Revista do Grupo de Arqueologia e Arte do Centro, n.º 20, Novembro de 1990, pp. 53-64; n.º 21, maio de 1991, pp. 66-76; n.º 22, novembro de 1991, pp. 39-52). Antigo estudante da UC, professor de história e investigador. Texto elaborado com base em extensos testemunhos de Afonso de Sousa, pesquisas na Hemeroteca Municipal de Coimbra, Biblioteca Geral da UC, colecção de partituras de Armando Carneiro da Silva, mapeamento dos cancioneiros populares impressos, arquivo pessoal de António José Soares, recolha de fonogramas anteriores a 1930, observação directa dos métodos de ensino nas escolas da Secção de Fado da AAC e das práticas de reconstituição das antigas serenatas populares e Fogueiras do S. João.

Vera Lúcia Vouga, Na galáxia sonora. Sobre o Fado de Coimbra (Porto: Separata da Revista da Faculdade de Letras da UP, II Série, Vol. VIII, 1991, pp. 47-62)[25]. Professora na Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Estudo-ensaio sobre os mecanismos de aprendizagem e reprodução orais da CC, influenciado pelos estudos de Celso Cunha e Paul Zumthor. Abordagem extensamente documentada com referências bibliográficas e elementos musicais facultados por Armando Luís de Carvalho Homem. Publicado no blogue Guitarra de Coimbra I, edição de 23.6.2005.

Eduardo Sucena, Lisboa, o fado e os fadistas (Lisboa: Vega, 1992. 2.ª edição, 2002, 391 p.). Olissipógrafo. Na tradição das narrativas que integravam o chamado Fado de Coimbra na história geral do Fado, o autor dedica o capítulo 11 ao “Fado de Coimbra”. Narrativa convencional, apresenta silêncios e lacunas, encerrando com uma tomada de posição contra os contributos estéticos dos sixties e negando vigorosamente a tese da Canção de Coimbra.

António [Jorge Moreira] Portugal (1931-1994), “Um depoimento” [sobre o canto e a guitarra de Coimbra, suas raízes e evolução ao longo dos tempos], revista Médice, n.º 13, Janeiro [de] 1992, p. 36. Guitarrista, compositor, cofundador do Movimento da Trova, advogado.

Jorge Reste, António M. Nunes, “Cantar Coimbra” (In revista Médice, n.º 13, Janeiro [de] 1992, pp. 38-41). Jorge Reste era chefe de redacção do periódico referenciado.

Jorge Reste, “Rui Pato. Os médicos e a Canção de Coimbra” (In revista Médice, n.º 14, Fevereiro [de] 1992, pp. 42-45; idem, “José Miguel Baptista”, op. cit., pp. 45-48). Entrevistas.

Paul Vernon, Fado de Coimbra, 1926-1930 (Macau: TradiSom, TRAD 005, 1994). Remasterização de 21 matrizes fonográficas registadas entre 1926-1929 por Edmundo Bettencourt, Lucas Rodrigues Junot, António Batoque, José Paradela de Oliveira e Artur Paredes. Reprodução do cd original editado em Londres pela Interstate HTCD 15, 1992, na colecção Fado’s Archives Vol. II. O texto contém imprecisões.

Jorge Cravo, “Luiz Goes/Só para alguns” (In 1969 em Revista/Marx, Lenine, Mao e Trotsky entre os doutores, Coimbra, Secção de Jornalismo da AAC, 1994, pp. 38-41).

José Manuel Beato, “Canção de Coimbra/Notas para uma perspectiva” (In 1969 em Revista/Marx, Lenine, Mao e Trotsky entre os doutores, Coimbra, Secção de Jornalismo da AAC, 1994, pp. 42-49).

Virgílio Caseiro, Novas canções para Coimbra (Coimbra: Musicentro, 1994, 53 p.). Antigo estudante da UC, cultor da CC, regente de formações corais (Orfeon Académico e outros), professor de música na Escola Superior de Educação de Coimbra. Na década de 1990 desenvolveu pesquisa sobre a CC e participou em seminários da especialidade. A publicação apresenta 12 composições impressas e um texto intitulado “Considerações analíticas gerais”. Faz recuar a CC para meados do século XIX, sublinha a faceta “operística” e “ariosa” desta manifestação artística, considera os aportamentos da década de 1960 e teoriza novos possíveis caminhos para a CC.

José [Manuel] Niza [Mendes Antunes] (1939-2011), Adriano/Obra completa (Lisboa: Movieplay/Orfeu 35.033, 1994). Livreto de 87 páginas com textos de Manuel Alegre, Paulo Sucena e José Niza. Com fotografias, capas originais dos discos vinil e 7 cds. A arrumação dos fonogramas desarticula a ordem original das gravações, optando o coordenador do projecto por uma organização intelectual pouco clara. Há dificuldade em co-relacionar os metadados (cronologia, autorias, instrumentistas). Os erros autorais que constavam nos fonogramas originais não são sinalizados.

Salwa El-Shawan Castelo-Branco, Cd Musical traditions of Portugal (Smithsonian/Folkways CD SF 40435, 1994, série n.º 9 da coleção Traditional Music of the World). Professora da FCSH/UNL. Contém uma amostragem de quatro “Guitarradas. Instrumental compositions from Coimbra” interpretadas pela formação António Brojo/António Portugal[26]. O texto, em língua inglesa, fornece uma síntese sobre a presença e usos da guitarra em Coimbra.

Paul Vernon, António Menano 1927-1928 (Macau: TradiSom TRAD 012, 1995). Remasterização do original editado em Londres pela Intersate, HT VD 31, na colecção Fado’s Archives, com 20 registos sonoros. Contém diversos erros biográficos e autorais.

José Anjos de Carvalho, António Menano/Das autorias dos fados. Livretos dos CD 1 António Menano/Fados (Lisboa: Odeon/EMI 7243 8 34618 2 0, 1995, com 18 registos fonográficos); António Menano (Fornos de Algodres, 05-05-1895; Lisboa, 11-09-1969), CD 2 António Menano/Fados (Lisboa: Odeon/EMI 7243 8 36445 2 0, 1995, com reprodução de 23 registos); CD 3 António Menano/Canções (Lisboa: Odeon/EMI 7243 8 37495 2 2, 1996, com remasterização de 19 registos). Trata-se da mais completa reedição conhecida da obra fonográfica protagonizada por António Menano entre 1927-1930. Os textos, marcados por elevado sentido de rigor, facultam dados cronológicos, uma biografia, reprodução de capas de partituras da época, transcrição das letras cantadas, identificação de autorias e inventário fonográfico.

José [Manuel] Niza [Antunes Mendes] (1939-2011), CD De capa e batina/José Afonso (Lisboa: Movieplay JA 8000, 1996, com remasterização de 10 registos fonográficos). Apresenta uma pequena nota biográfica, transcreve as letras cantadas, identifica os instrumentistas, as editoras e as datas de gravação dos originais. Reproduz diversos erros autorais que já constavam nas etiquetas dos fonogramas originais. Acompanha o cd um caderno de 68 páginas com fotografias, textos e inventário fonográfico (1952-1985).

José [Manuel] Niza [Antunes Mendes] (1939-2011), Fados e guitarradas de Coimbra. Volume I (Lisboa: Movieplay, MOV. 30.332 A/B, 1996). Contém dois cds, o MOV 30.332/A, com 23 fonogramas, e o MOV 30.425/B, com 22 fonogramas editados entre as décadas de 1950-1980. Acompanhado por brochura de 59 páginas com fotobiografias. A ficha técnica não comporta transcrição das letras cantadas, as autorias não foram verificadas, o cruzamento dos dados relativos aos instrumentistas acompanhadores de cada faixa remasterizada não é amigável. Remasterização continuada na antologia Fados o Guitarradas de Coimbra, Volume II (Lisboa, Movieplay, MOV 30.425 A/B, 2001). O MOV 30.425/A, tem 23 fonogramas, e o segundo, o MOV 30.425/B tem 22 fonogramas, num total de 45 fonogramas, não comportando brochura de apoio.

Abel Morais Couto, Armando Luís de Carvalho Homem e outros, Recordando Nuno Guimarães. O poeta, o músico, 1942-1973 (Vila Nova de Gaia: Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, 1997, 92 p.). Catálogo da homenagem realizada na Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia e Junta de Freguesia de Perosinho em 18 de janeiro de 1997. Incluiu uma sessão solene no salão nobre da CMVNG, em que palestrou o Prof. Doutor Aníbal Pinto de Castro (1938-2010), a inauguração de uma rua, exposição documental na Junta de Freguesia de Perosinho, romagem ao cemitério e sarau musical. Integra um cd com a remasterização completa da obra fonográfica vinil de Nuno Guimarães, Recordando Nuno Guimarães/Fados e baladas de Coimbra (Porto: Discoteca Santo António, DAS-CD-401, 1997, com 17 registos sonoros).Textos de Aníbal Pinto de Castro, Armando Luís de Carvalho Homem e outros, testemunhos de amigos e reprodução das pautas remetidas à SPA para efeitos de registo de direitos de autor. Armando Luís de Carvalho Homem assina o estudo “Nuno Guimarães e a guitarra de Coimbra nos anos 60. Impressão perante uma re-audição de cinco 45 rpm”, a páginas 18-23, que se configura como um dos mais importantes textos produzidos na década de 1990 sobre a CC.

Paulo [Jorge] Soares, Método de guitarra. Bases para a guitarra de Coimbra (Coimbra: Edição do Autor, 1997. 1.º volume). Antigo membro da Secção de Fado da AAC e do grupo Praxis Nova, executante formador de guitarra. Com um prefácio de Armando Luís de Carvalho Homem, A revolução do método e a perturbação das certezas (Reflexões sobre um trabalho generoso), pp. 7-13, depois publicado no blogue Guitarra de Coimbra I, de 20.5.2005.

Salwa El-Shawan Castelo-Branco, “La Chanson de Coimbra” (In Voix du Portugal. Paris: Cité de la Musique/Actes du Sud, 1997, pp. 105.117). Publicação acompanhada de cd, ensaia uma sinopse da CC, com informação sobre “guitarradas” e “Esquisse historique et principaux interprètes”.

José Anjos de Carvalho e Fernando Murta Rebelo, Evocação de Hylario na Coimbra do seu tempo. A origem do chamado Fado Hilário (Lisboa: Sociedade História da Independência de Portugal, 1998, 64 p.). Com fotografias, partituras, bibliografia de apoio e 38 anotações documentadas. Confirma com provas documentais que o chamado Fado Hilário é uma composição posterior ao falecimento de Augusto Hilário, na peugada dos estudos apresentados em 1988 por Divaldo Gaspar de Freitas[27].

Armando Luís de Carvalho Homem, «Que público para a Canção Coimbrã? Uma pergunta para o “tempo que não passa”» (Porto: Estudos de Homenagem a Luís António de Oliveira Ramos, FL/UP, 2004, pp. 269-573). Texto enviado ao VI Seminário de Canção de Coimbra, realizado em Coimbra no dia 1.5.1998, datado de 30.4.1998. Disponível em http://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/4995.pdf. Republicado no blogue Guitarra de Coimbra I, de 4.5.2005.

Armando Luís de Carvalho Homem, «(Dez) Primaveras de uma guitarra», texto de inserto no livreto do CD Primavera 2/Música para guitarra de Coimbra/Francisco Filipe Martins (Lisboa: Philips/Polygram, 536 475-2, 1998), escrito em 31.3.1996, reeditado no blogue Guitarra de Coimbra I, http://guitarradecoimbra.blogspot.com/, de 2.4.2005.

Carlos Carranca, Luiz Goes de ontem e de hoje (Cascais: Universitária Editora, 1998). Com uma rememoração de António Toscano, uma entrevista ao homenageado e os poemas de Luiz Goes produzidos entre 1956-1997.

Paul Vernon, A history of portuguese fado ([London?] Ashgate Publishing, 1998, 165 p.). Texto síntese sobre o fado em Portugal e a sua prática em Lisboa, Coimbra, Porto, Brasil e USA. Com ilustrações e um cd anexo. Obra inclusivista.

José [Manuel] Niza [Antunes Mendes] (1939-2011), Fado de Coimbra (2 tomos, Alfragide: Ediclube, 1999, colecção «Um século de fado»). Antigo estudante da Coimbra formado em Medicina, executante de guitarra e viola. Médico e político. Deixou obra ligada à coordenação de fontes fonográficas na Movieplay. Volumosa obra contendo uma sinopse positivista sobre as origens e evolução da CC muito próxima da narrativa publicada em 1990 por Sousa Lamy. Ilustrada com numerosas fotografias e reprodução de partituras de época, apresenta um importante levantamento biográfico de cultores. Inclui ainda um estudo de Armando Luís de Carvalho Homem, O Fado de Coimbra na Academia do Porto (Vol. I, 1999, pp. 115-128), republicado no blogue Guitarra de Coimbra I, http://guitarradecoimbra.blogspot.com/, de 2.8.2008.

Pedro Caldeira Cabral, A guitarra portuguesa (Alfragide: Ediclube, 1999, colecção «Um século de fado»). Executante de guitarra, compositor, construtor e executante de instrumentos antigos, especialista em guitarra inglesa. Estuda a questão da origem e evolução da guitarra em Portugal, optando pela tese da origem via cistro medieval/cítara renascentista com aportamentos da guitarra inglesa. Integra fotografias e dados sobre a presença da guitarra em Coimbra nos meios académicos. Utiliza abundantemente dados coligidos por Armando Simões (1974).

António M. Nunes, No rasto de Edmundo de Bettencourt. Uma voz para a modernidade (Funchal: Direção-Regional da Cultura, 1999, 221 p.). Ensaio e biografia, complementado com fotografias, cronologia, glossário, inventário fonográfico e reportorial[28]. Adotam-se nesta obra a metodologia e as linhas de força apresentadas a 1.5.1998 no “VI Seminário de Canção de Coimbra/Comemorações dos 20 anos do I Seminário do Fado de Coimbra/Homenagem a Luiz Goes”[29] (Linhas de abordagem na Canção de Coimbra): «1.1: Do acesso às fontes; 1.2: Alguns estudos pioneiros; 1.3: História das técnicas/arqueologia industrial e fonografia; 1.4: Uma etnografia dos instrumentos musicais; 1.5: O método biográfico; 1.6: Movimentos estéticos; 1.7: Espaços e memória; 1.8: Leituras semânticas e semióticas; 1.9: Escolas, ensino, espaços de assimilação e reprodução; 1.10: Iconografia do chamado Fado de Coimbra; 1.11: Recepção e imagens exógenas».

Armando Luís de Carvalho Homem, “Os tempos de um projecto”, texto integrado no CD Folha a folha/Canto e guitarra de Coimbra/Jorge Cravo/Poesia de José Manuel Mendes (Paços de Brandão: Numérica NUM 49, 1999, pp. 55-70). Escrito datado de 1.9.1999, analisa a performance de Jorge Cravo e as composições/prestações dos instrumentistas: Manuel Borralho/José Ferraz de Oliveira (gg) e Manuel Gouveia Ferreira (v).

Armando Luís de Carvalho Homem, Da árdua definibilidade da “Canção de Coimbra”. Nota de apresentação ao CD Coimbra dos poetas/Coimbra das canções, trovas e baladas, gravado pelo Prof. José Mesquita, 1999, pp. 6-10[30]. Editado no blogue Guitarra de Coimbra I, de 2.9.2005.

Manuel António Almeida Reis, Adriano/Presente! (Porto: Editora Ausência, 1999, 183 p.). O autor é licenciado em História pela Faculdade de Letras/UC. Fotobiografia de Adriano Correia de Oliveira apoiada do espólio documental familiar. Integra textos, fotografias, capas de discos e inventário fonográfico.

Eduardo Manuel Martins Aroso, A guitarra portuguesa. Património cultural. Aproximações histórico-musicais à sua génese e fixação em Portugal (Coimbra: Gresfoz, 2000, 52 p.). Cultor da CC, executante de viola de acompanhamento, membro da Tertúlia do Fado de Coimbra, poeta. Estuda a origem e evolução da guitarra com base na bibliografia disponível. Insere fotografias de cordofones. Regista preocupações patrimonialistas e de produção de materiais de suporte ao ensino da guitarra em escolas, exemplificando o caso do Prof. José dos Santos Paulo no Conservatório de Coimbra. Contém ainda entrevistas com o Prof. José dos Santos Paulo e com o construtor radicado em Braga Jorge UIisses.

Octávio Fonseca Silva, Carlos Paredes. A guitarra de um povo (Porto: Mundo da Canção, 2000, 189 p.). Biografia solidamente documentada. Contém fotografias, inventariação da obra fonográfica (1962-1998), recolha de entrevistas e três partituras.

Mário Correia, Carlos Paredes. Uma guitarra em movimento perpétuo (Vila Nova de Gaia: Sons da Terra, 2000, 109 p.). Dados sobre Artur e Carlos Paredes. Excertos de entrevistas. Inventário fonográfico.

Rui Vieira Nery, “Carlos Paredes”, livreto do CD Canção para Titi. Carlos Paredes. Os inéditos. 1993 (Lisboa: EMI-Valentim de Carvalho, Música Lda., 7243 5 3117429, 2000). Professor de música na Universidade de Évora. Estudioso do Fado e conselheiro científico da candidatura deste género performativo a património imaterial Unesco.

José Henrique Dias, “Breve sumário de um encantamento”, texto inserto no livreto do CD Biografia do Fado de Coimbra (Lisboa: EMI-Valentim de Carvalho Música, Lda., 7243 5 30977 2 1, 2002). Remasteriza 20 fonogramas (ca. 1920-1980). Ficha técnica das composições revista por José Anjos de Carvalho. Selecção musical do guitarrista José Pracana, o disco propõe uma abordagem em três idades: “abertura”, “a década de oiro”, “da segunda década de oiro aos nossos dias”.

Armando Luís de Carvalho Homem, A guitarra de Coimbra em tempos de fim-de-tempo (ca. 1965-ca. 1973). Apontamentos e rememorações (Lisboa: ANAIS, Volume V/VI, Universidade Autónoma de Lisboa, MM-MMI, pp. 333-348). Texto elaborado em 1998, foi apresentado pelo autor numa conferência proferida em 14.6.1999 na Escola Superior de Educação de Portalegre. Passa em revista a produção fonográfica e as presenças em espectáculos de artistas amadores e formações como João Bagão, António Brojo, António Portugal, Jorge Tuna, irmãos Melo, Octávio Sérgio, Nuno Guimarães, António Andias, Hermínio Menino e outros.

Jorge Cravo, José Manuel Beato e outros, Canção de Coimbra. Testemunhos vivos. Antologia de textos (Coimbra: Direção-Geral da Associação Académica de Coimbra, 2002, 247 p.). Trata-se de um projecto inédito de recolha e fixação de vivências na primeira pessoa. Falaram da década de 1940 António de Almeida Santos, Ângelo Vieira Araújo e Augusto Camacho Vieira. Testemunharam a década de 1950 Fernando Rolim, José Niza e Luiz Goes. A década de 1960 foi relembrada por António Ralha, Fernando Gomes Alves, José Miguel Baptista, Manuel Borralho e Rui Pato. Evocaram a década de 1980 João Moura, Jorge Cravo e Luís Alcoforado. A década de 1990 foi abordada por José Manuel Beato. Apresentação-ensaio a cargo de António M. Nunes, Da(s) memória(s) da Canção de Coimbra 1930-1990, pp. 9-69.

José Manuel Beato e outros, II Colóquio sobre Canção de Coimbra contar e cantar o futuro. Actas (Coimbra: Associação Cultural Menina e Moça, 2002). Comunicações apresentadas em Coimbra no dia 6.7.2002 por Augusto Camacho Vieira (Canção de Coimbra. Contar o passado), Padre Dr. José Eduardo Coutinho (Estética transcendental e dimensão fenoménica), Paulo [Jorge] Soares (A sistematização em curso e o seu alcance no futuro), José Manuel Beato (Fado/Canção de Coimbra, diagnóstico de uma crise de sentido ou notas para uma fenomenologia do absurdo), Prof. José Dias (Canção de Coimbra, preparar o futuro) e Prof. José Mesquita (Canção de Coimbra, a renovação).

António M. Nunes e José dos Santos Paulo, Flávio Rodrigues da Silva. Fragmentos para uma guitarra (Coimbra: Minerva Coimbra, 2002, 180 p.). Trabalho de identificação biográfica do barbeiro-guitarrista Flávio Rodrigues e de seu irmão Fernando Rodrigues. Recolha do legado reportorial obtido através de registos fonográficos, discípulos e testemunhos orais. Contém fotografias e a fixação em partitura de todas as peças recolhidas. Saiu em edição complementar o catálogo-programa da homenagem realizada em Coimbra a 10.11.2002, Centenário do nascimento do guitarrista Flávio Rodrigues da Silva 1902-2002 (Coimbra: CMC, 2002, 32 p.). A produção do cd ficaria adiada, tendo sido lançado por José dos Santos Paulo oito anos mais tarde: Flávio Rodrigues da Silva/Coimbra/Velha Alta (Coimbra: CD. 618, 2010), com remasterização de 4 registos efectuados em 1927 pelo evocado e 11 abordagem de composições instrumentais sinalizadas nos estudos realizados em 2001-2002[31].

José Anjos de Carvalho, Jorge Cravo e outros, Luiz Goes. Canções para quem vier. Integral 1952-2002 (Lisboa: EMI/Universal 7243 5 80297 2 7, 2002, remasterizações em 4 cd). Identifica e recupera 69 matrizes fonográficas. José Anjos de Carvalho foi responsável pela produção de metadados relativos a cada um dos registos. Destaque para os textos assinados por António Toscano e Jorge Cravo.

Ruy Vieira Nery, José Anjos de Carvalho e outros, O mundo segundo Carlos Paredes. Integral 1958-1993 (Lisboa: EMI/Universal 7243 5 80304 2 6, 2002, com 8 cds). Texto de RVNery (O legado de um Mestre), metadatos supervisionados por José Anjos de Carvalho.

Armando Luís de Carvalho Homem, Jorge Tuna. Para uma abordagem ternária de um mestre da Guitarra de Coimbra (Coimbra: Separata da Revista Portuguesa de História, Tomo XXXVI, Volume 2, FL/UC, 2002-2003, pp. 397-416). Estudo de pormenor sobre obra fonográfica de Jorge Tuna no período 1959-2000.

Jorge Cravo, Memorial de Edmundo de Bettencourt - 1889-1973 (Coimbra: Câmara Municipal de Coimbra, 2003).

Jorge Cravo, «A “Presença” e a Canção de Coimbra (ou o modernismo de uma nova visão estético-musical desta Canção)» [Coimbra, revista Munda, n.º 45/46, novembro de 2003].

José [Manuel] Niza [Antunes Mendes] (1939-2011), “Artur Paredes”, livreto do CD Artur Paredes acompanhado por Carlos Paredes e Arménio Silva (Lisboa: MOV 30.480, 2003). Texto extraído de «Um século de Fado. Fado de Coimbra», II, 1999, pp. 79-82. Remasterização de 8 registos comercializados pela Alvorada em 1961.

Eduardo M. Raposo, Canto de intervenção. 1960-1974 (2.ª edição revista e aumentada. Lisboa: Público, 2005, 208 p.). Investigador e docente. Síntese da tese de mestrado. Na esteira de Mário Correia (1984), contém dados sobre os contributos da CC para a construção da música de intervenção.

Armando Luís de Carvalho Homem, A herança (possível) d’”os Melos” na guitarra de Coimbra/Três temas de Álvaro Aroso (anos 70/anos 80)/Nótulas sobre práticas de uma certa arte de navegar, blogue Guitarra de Coimbra I, de 9.3.2005.

Armando Luís de Carvalho Homem, As «Variações» de Octávio Sérgio. Uma observação centrada em três peças. Texto datado de 18.6.2004, publicado no blogue Guitarra de Coimbra I, http://guitarradecoimbra.blogspot.com/, de 27.3.2005, e ulteriormente em http://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/4412.pdf.

Armando Luís de Carvalho Homem, Armando Carvalho Homem (1923-1991). Percurso e discurso de uma guitarra, publicado no blogue Guitarra de Coimbra I, de 22.4.2005. Republicado com modificações no blogue Guitarra de Coimbra III, de 30.10.2008.

José Manuel Beato e Patrick Mendes (apresentação e diálogos), Dvd A história do Fado de Coimbra (Coimbra: Televita, registo n.º 12028, 2005. Antecedido por uma edição Contarcom, 2004, distribuída pelo Diário de Coimbra e rapidamente esgotada). Passeio cronológico, artístico e biográfico, integra testemunhos de Luiz Goes, Jorge Gomes (ensinante de guitarra) e Joaquim Reis (jornalista, fundador da Secção de Fado da AAC). Incorpora os contributos teóricos e investigativos produzidos desde 1978. Performances a cargo do grupo Verdes Anos. O conteúdo do dvd não confirma o título, tratando-se mais propriamente de um passeio ou revisitação selectiva.

Octávio Sérgio, Bloco de Notas, rememorações editadas no blogue Guitarra de Coimbra, n.º 1 (12.3.2005) a n.º 24 (4.2.2006). Guitarrista e compositor. Importante diário com registos de práticas e vivências sobre a CC.

João Moura, “Coimbra do meu tempo”, livreto do CD Coimbra espírito e raiz. João Moura. Luiz Goes (Coimbra XXI, 2005). Com um dvd anexo. Texto original publicado em 2002 em Testemunhos Vivos, agora revisto e ampliado.

António M. Nunes, A canção de Coimbra no século XIX, 1840-1900, editado incompletamente em capítulos no blogue Guitarra de Coimbra entre 7.6.2005-2011. Texto elaborado em 2002-2003.

António M. Nunes, Os registos fonográficos de Lucas Junot (1902-1968), blogue Guitarra de Coimbra I, http://guitarradecoimbra.blogspot.com/, edição de 15.5.2005.

José Anjos de Carvalho, Uma perspectiva crítica sobre o chamado Fado de Coimbra, blogue Guitarra de Coimbra III, http://guitarradecoimbra.blogspot.com/, edição de 24.10.2010. Comunicação apresentada ao seminário “A canção de Coimbra e os seus cultores”, organizado pelo Museu Académico, que teve lugar em 9.11.2003. Tese a favor da designação tradicional.

Armando Luís de Carvalho Homem, Ainda a expressão “Fado Académico”, blogue Guitarra de Coimbra I, edição de 2.9.2005.

José Anjos de Carvalho, Discografia de Elísio de Mattos e respectivas letras, blogue Guitarra de Coimbra I, http://guitarradecoimbra.blogspot.com/, edição de 28.9.2005.

José Anjos de Carvalho, Discografia de António Batoque e respectivas letras, blogue Guitarra de Coimbra I, edição de 4.10.2005.

José Anjos de Carvalho, Discografia de Armando Goes, blogue Guitarra de Coimbra I, http://guitarradecoimbra.blogspot.com/, edição de 10.10.2005.

José Anjos de Carvalho, Discografia de Paradela de Oliveira e respectivas letras, blogue Guitarra de Coimbra I, http://guitarradecoimbra.blogspot.com/, edição de 17.10.2005.

Augusto Alfaiate, Viagem aos lugares da memória das serenatas de Coimbra, blogue Guitarra de Coimbra I, edição de 18.10.2005. Associado do GAAC, irmão da Santa Casa da Misericórdia de Coimbra, investigador de temas conimbricenses. Passeio-conversa com o antigo morador da Alta de Coimbra Carlos Ferrão (2002).

António M. Nunes, Os irmãos Caetanos, blogue Guitarra de Coimbra I, http://guitarradecoimbra.blogspot.com/, edição de 20.10.2005. Comunicação apresentada ao Seminário “A Canção de Coimbra e os seus cultores”, organizada pelo Museu Académico de Coimbra em 9.11.2003.

José Anjos de Carvalho, Discografia de José Dias com as letras que conheço, blogue Guitarra de Coimbra I, http://guitarradecoimbra.blogspot.com/, edição de 21.10.2005.

José Anjos de Carvalho, Discografia de Edmundo Bettencourt e respectivas letras, blogue Guitarra de Coimbra I, http://guitarradecoimbra.blogspot.com/, edição de 11.11.2005.

José Anjos de Carvalho, Viagem pelo Canto e pela Guitarra de Coimbra, blogue Guitarra de Coimbra I, edição de 4.12.2005. Trata-se do segundo diaporama da CC, elaborado após o programa televisivo Tempo(s) de Coimbra (1983). Revisita diversos compositores e sensibilidades, contextualizando cada um dos temas recriados. Organização, programação e apresentação pelo Grupo Serenata de Coimbra em Alenquer, no estúdio do Pintor João Mário, 6 de Abril de 2003. Foram apresentadores José Anjos de Carvalho, Francisco de Vasconcelos, Fernando Murta Rebelo. Cantaram Alcindo Costa, José Barros Ferreira, Tito Costa Santos, Tomé Medeiros, Victor de Carvalho e como convidados José Anjos de Carvalho e Augusto Camacho Vieira. Asseguraram as violas João Figueiredo Gomes, Rodrigues Pereira e Manuel da Costa Brás. Foram executantes de guitarras de Coimbra Alexandre Bateiras e António Serrano Baptista.

José Anjos de Carvalho e António M. Nunes, O primeiro Ep gravado por Barros Madeira/Dúvidas que geram conversas, blogue Guitarra de Coimbra I, edição de 4.12.2005.

José Anjos de Carvalho e António M. Nunes, Relação do espólio fonográfico do cantor Almeida d’Eça, blogue Guitarra de Coimbra I, http://guitarradecoimbra.blogspot.com/, edição de 13.12.2005.

António José Soares e António M. Nunes, Canções e guitarradas nas décadas de 1930-1940, blogue Guitarra de Coimbra I, edição de 17.12.2005.

José Anjos de Carvalho e António M. Nunes, Discografia de José Dias e respectivas letras, blogue Guitarra de Coimbra I, http://guitarradecoimbra.blogspot.com/, edição de 21.1.2006.

José [Firmino Moreira] Mesquita, Canção de Coimbra/Reflexões, blogue Guitarra de Coimbra I, edições de 19.3.2006, 22.3.2006, 4.4.2006, 6.4.2006, 20.4.2006. Prof. de Biologia na FCT/UC, cultor da CC com obra de vulto produzida na década de 1980. Comunicação originalmente apresentada num colóquio dinamizado pela Associação Cultural Menina e Moça na Casa Municipal da Cultura de Coimbra, em 9.7.2005, e ulteriormente publicada no Diário de Coimbra.

José Anjos de Carvalho e António M. Nunes, Registos fonográficos de Carlos Leal e Amândio Marques, blogue Guitarra de Coimbra I, http://guitarradecoimbra.blogspot.com/, edição de 28.6.2006.

José Anjos de Carvalho e António M. Nunes, Relação das gravações em que participou José Tito Mackay, Blogue Guitarra de Coimbra I, edição de 30.6.2006.

José Anjos de Carvalho e António M. Nunes, Perdidos e achados/Títulos e letras cujas melodias são dadas por perdidas, blogue Guitarra de Coimbra I, edição de 7.8.2006.

Armando Luís de Carvalho Homem, “Das flores e dos frutos/Genealogia de um certo dizer”, blogue Guitarra de Coimbra I, edição de 11.9.2006 (livreto do CD Convívios musicais, de Francisco Filipe Martins).

José Anjos de Carvalho e António M. Nunes, António Menano/Cintilações e gorjeios de um rouxinol, blogue Guitarra de Coimbra I, http://guitarradecoimbra.blogspot.com/, edição de 15.9.2006; Reportório musical impresso, edição de 11.10.2006; Letras das Sessões Fonográficas/Sessão de Paris (1927), edição de 5.4.2007.

José Anjos de Carvalho e António M. Nunes, Estrofes encontradas num caderno de Lucas Junot[32], blogue Guitarra de Coimbra, edição de 16.11.2006.

José dos Santos Paulo, Método de guitarra portuguesa (Coimbra: Edição da TAUC, 2006). Método de apoio ao trabalho de ensinança desenvolvido no Conservatório de Coimbra, contém exercícios, estudos e partituras de composições de Carlos Paredes, Octávio Sérgio, Francisco Filipe Martins, Álvaro Aroso e outros.

Paulo [Jorge] Soares, Método de guitarra portuguesa. O domínio dos acordes (Coimbra: Edição do Autor, 2007. 2.º volume).

José Anjos de Carvalho e António M. Nunes, Alexandre de Rezende, compositor, cantor e guitarrista, blogue Guitarra de Coimbra I, http://guitarradecoimbra.blogspot.com/, edição de 15.5.2007.

José Anjos de Carvalho e António M. Nunes, Stuart Carvalhais ilustrador de canções musicais destinadas ao público coimbrão, blogue Guitarra de Coimbra, http://guitarradecoimbra.blogspot.com/, edição de 27.8.2007.

Fernando Dias Marques, Uma guitarra com gente dentro/O ensino aprendizagem da guitarra de Coimbra na tradição oral em comunidades de prática (Coimbra: UC/Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação, 2007. Tese de mestrado). Cultor da CC, executante de guitarra, professor.

Manuel Fernando Marques Inácio, O canto e a música de Coimbra. Ângelo Vieira Araújo. Fotobiografia (São João da Madeira: Edição da CMSJM, 2007). Prof. no Instituto Superior Técnico/UTL. A obra contém dados biográficos sobre o compositor amador e médico, e relação das composições de que é autor.

Rui Pedro Moreira Lopes, Lucas Junot. O estudante brasileiro que cantou Coimbra. Fotobiografia (Coimbra: Câmara Municipal de Coimbra, 2008, 131 p.). Com fotografias inclusas no texto, obtidas no Brasil junto de herdeiros, transcrição de letras, inventário fonográfico.

Jorge Cravo, “José Afonso. Da boémia coimbrã à solidariedade utópica-1940-1969” (Coimbra: Arquivo Coimbrão, volume XL, 2008).

Ana Maria Lopes, Jorge Godinho (Coimbra: Edição da Autora, 2008, 88 p.). [bio-foto-fonografia]. Publicação apresentada em Coimbra a 4.10.2008, com edição prévia no blogue Guitarra de Coimbra II, de 1.3.2008 e ss.

Carlo Giacobbe, Il fado di Coimbra. Storia e significato sociale della canzone accademica portughese (Nardó: Besa Editrice, 2008, 212 p.). Jornalista e divulgador de fado. Obra concetual e metodologicamente inclusivista, replica a narrativa de integração da CC na troncatura do Fado. Centra a exposição em alguns cultores emblemáticos. Não regista os contributos teóricos e investigativos produzidos desde 1978. Obra em geral bem fundamentada, apresenta erros de autorias que resultam de lacunas circulantes nas fichas técnicas dos registos fonográficos utilizados.

Jorge Cravo, Luiz Goes. O neomodernismo na Canção de Coimbra ou o advento da escola goesiana (Coimbra: Minerva Coimbra, 2009, 239 p. e anexo fotográfico). Versão final de um texto elaborado em 1992 para a Seção de Jornalismo da AAC, publicado primeiramente pela mesma Secção de Jornalismo em 1994 e apresentado em 1998 no VI Seminário de Canção de Coimbra. Estudo biográfico, complementado por análise de composições do reportório fonográfico.

Jorge Cravo, A Canção de Coimbra em tempo de lutas estudantis. 1961-1969 (Coimbra: Minerva Coimbra, 2009, 134 p. e anexo fotográfico). Apresenta uma sequência de quadros e de referências a artistas amadores e sensibilidades, sintetizando os principais contributos teórico-investigativos disponíveis nesta data.

Salwa El-Shawan Castelo-Branco (coordenação), Enciclopédia da música em Portugal no século XX (Lisboa: Círculo de Leitores/Temas e Debates, 2010). Obra colectiva, insere diversas entradas sobre artistas ligados à CC.

A.Quaresma Ventura, Anthero da Veiga, republicano, diplomata e guitarrista (Coimbra: Câmara Municipal de Coimbra, 2010, 119 p.). Livro apresentado em Coimbra nos “IV Encontros Internacionais de guitarra portuguesa”. A homenagem incluía ainda uma exposição (“A guitarra na vida de um político e diplomata. Anthero da Veiga”), e o CD Anthero da Veiga/Guitarra de Coimbra (Coimbra, s/e, 2010), reproduzindo 4 registos efectuados pelo guitarrista.

António Nascimento e José Nascimento, Estudantes de Coimbra em orquestra/Tuna Académica da Universidade de Coimbra. 1888-1913 (Coimbra: Associação dos Antigos Tunos da Universidade de Coimbra, 2010). Contém abundante informação sobre cultores da CC que acompanhavam a TAUC nas suas digressões.

Manuel Fernando Marques Inácio, O canto e a música de Coimbra. Fotobiografia de Augusto Camacho Vieira (Coimbra: Minerva Coimbra, 2011).

Desta canção que apeteço (Grândola: Camara Municipal de Grândola/Associação José Afonso, 2011). Catálogo da exposição organizada no âmbito das comemorações da Revolução de 25.4.1974. Contém fotografias, cartazes, capas de discos, dados cronológicos e biográficos. Detalhada identificação dos registos fonográficos.

Jorge Cravo, A Canção de Coimbra e a candidatura do Fado de Lisboa [a património Unesco] (In Via Latina, 30.11.2011, disponível em http://www.revistavialatina.com/?p=1748).

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[1] Professor de História. Investigador-colaborador do CEIS20. Comunicação apresentada no encontro “Reflectir e fruir a Canção de Coimbra nos inícios do século XXI (Percepções e consumos), Coimbra, Secção de Fado da Associação Académica de Coimbra, 28 de abril de 2012.
[2] Confrontado com esta interpelação em 2004, José Manuel Beato formulou a única resposta congruente, quer dizer, importa evitar as não perguntas ou as perguntas não pertinentes e convidar o perguntador a reformular a questão. O mesmo escreveu Pierre Bourdieu. Responder a um divertimento deste tipo implica que o perguntado esteja minimamente documentado sobre a arte que cultiva (o que é raro) e que conheça um pouco do universo com o qual é convidado a confrontar-se (do qual pouco ou nada sabe). Por outro lado, na reorientação da questão deve deixar-se claro que que se rejeita o reducionismo bipolar, valorizando antes uma reflexão multipolar que abranja vários géneros performativos. Quando não sabe responder, é preferível que perguntado assuma que não está em condições de construir uma resposta fundamentada do que debitar dislates.
[3] A teoria do iceberg, usada para estudar a cultura corporativa empresarial, aparece em Idalberto Chiavenatto, Administração dos novos tempos (Rio de Janeiro: Campus, 1999), com precedentes formulações em J. Stoner e R. Freeman, Administração (1985).
[4] Linha discursiva que apresenta os “Coimbra Spaghetti” como composições do reportório da CC. Os Coimbra Spaghetti englobam “chansons de vaudeville” [criadas no século XX (ca. 1940-1980) para espectáculos musicais, programas radiofónicos e televisivos e bandas sonoras de filmes, de vocalização afectada, cujas letras mediatizam estereótipos descontextualizados ou virtuais como “capas negras no Choupal”, “o estudante e a tricana”, a capa e a Lapa”] e cançonetas românticas a que se empresta um certo “ar” de Coimbra. Exemplifica esta forma de abordar Coimbra o reportório do ator-cantor Alberto Ribeiro (1920-2000). Os registos fonográficos Coimbra Spaghetti também eram [são] comercializados em Coimbra e consumidos por diversos públicos locais.
[5] Conceito transdisciplinar criado em 1991 por Vera Lúcia Vouga, aproveitando a leitura da obra de Marshall MacLuhan (1911-1982), A galáxia de Gutenberg (1962). A autora atendia aos processos de transmissão da CC, nomeadamente ao conceito de “galáxia oral ou acústica”. Embora os estádios macluhanianos sejam tributários das filosofias da história, as propostas “galáxia oral ou acústica”, “galáxia tipográfica ou visual” e “galáxia electrónica” são operativas. Abundantemente empregue por Armando Luís de Carvalho Homem e António M. Nunes em textos publicados no blogue Guitarra de Coimbra (2005 e ss.), a expressão seria alvo de enfurecidas rejeições de leitores anónimos.
[6] Não se inserindo assim neste mapeamento o notável texto de Maria de São José Côrte-Real anexo ao CD Coimbra/April in Portugal/Avril au Portugal (Vila Verde: TradiSom, TRAD 038, 2004), que recolhe 34 abordagens da composição de Raul Ferrão (música) e José Galhardo (letra). Trata-se de uma composição de vaudeville, feita em Lisboa nos inícios da década de 1940, popularizada pela banda sonora do filme Capas Negras (1947), cujo estatuto é semelhante à Don’t Cry for me Argentina (música de Andrew Lloyd Webber, letra de Tim Rice, estreada no musical Evita em 1976).
[7] Por todos, Suzana Pinheiro Machado Mueller, “A comunicação científica e o movimento de acesso livre ao conhecimento”. In Brasília, volume 35, n.º 2, maio/agosto 2006, pp. 27-38, disponível em http://www.scielo.br/pdf/ci/v35n2/a04v35n2.pdf.
[8] Em interpelação formulada no final do encontro de 28.4.2012, José Manuel Beato declarou que considerava esta crença ultrapassada desde a primeira metade da década de 1990. Contudo, a análise dos dados recolhidos leva-me a concluir que só em parte será assim. José Manuel Beato é um cultor-estudioso extremamente bem informado e documentado, o que não acontece com o perfil médio dos cultores do género.
[9] Tentando fugir à contingência topográfica, desde a década de 1980 que formações estudantis activas na Universidade do Porto, Universidade Católica/Polo do Porto e Instituto Politécnico do Porto utilizam a expressão “fado académico”.
[10] As dimensões discursivas paradoxais sobre os processos de territorialização/desterritorialização/reterritorialização são habitualmente colocadas em simultâneo com questões afectivas complexas como qualidade, autenticidade e legitimidade. São visões/dimensões presentes na CC, no confronto entre o Tango de Buenos Aires e os tangos praticados em comunidades dispersas, no Fado artístico de Lisboa e noutros géneros. A este respeito sigam-se as leituras de Andrea Matallana, “El tango entre dos orillas. Las representaciones en Estados Unidos”, In Afuera estudos de critica cultural, año VI, numero 10, mayo de 2011, disponível em http://www.revistaafuera.com/articulos.php?id=162; Rolf Kailuweit, El (neo) tango en París. Acerca de un fenómeno paradójico en su espaciamiento y temporalización, Universidad Nacional de la Plata/Facultad de Humanidades y Ciencias de la Educación/I Congreso Internacional de Literatura y Cultura Españolas Contemporaneas, 1 al 3 octubre 2008, disponível em http://www.romanistik.uni-freiburg.de/kailuweit/downloads/kailuweitRof,pdf.
[11] Estas e outras questões contíguas também são formuladas no âmbito das reflexões sobre géneros performativos mais investigados como o Tango. Vejam-se Marina Cañardo e Camila Juárez, “Dossier. Las ciências sociales a la escucha del tango”, In afuera, año VI, n.º 10, mayo de 2011, disponível em http://www.revistaafuera.com/articulo.php?id=153nro=10; Gloria Alexandra Acevedo Toro, El tango como influencia comunicacional y cultural en las nuevas generaciones de la ciudad de Medellín. Medellín: Universidad Pontificia Bolivariana/Facultad de Comunicación Social, 2010, disponível em http://www.tangomedellin.co/documentos/tesis-gloria-acevedo.pdf; Leandro Donozo, Algunas reflexiones acerca de la investigación académica sobre el tango, a partir del 2do. Congresso Internacional de tango “Tango: baile, musica y sociedad”, In Boletin de la Asociación Argentina de Musicologia, Año 24, n.º 63, deciembre de 2009, pp. 23-26, disponível em http://www.aamusicologia.org.ar/pds/boletin_63.pdf.
[12] Além dos seis seminários, realizam-se em Coimbra as “I Jornadas sobre tradições académicas e Canção de Coimbra” (maio de 1987) e as “II Jornadas sobre tradições académicas e Canção de Coimbra” (maio de 1988). Breves notas: 1) Paulo Soares e Luís Alcoforado, então membros do grupo oficial da Secção de Fado da AAC, tiveram participação activa nestes eventos; 2) no primeiro, realizado em 1987, Luís Alcoforado lançou a proposta de criação de prémios para artistas e grupos, com um troféu a designar “Hilário”, entendimento que chocou os cultores presentes; 3) os dois encontros ficaram marcados por desagradáveis querelas entre praxistas e antipraxistas da década de 1970 que ante a perplexidade dos congressistas criaram um ambiente pouco saudável no auditório.
[13] “I Forum sobre Canção de Coimbra”, Coimbra, Casa Municipal da Cultura da CMC, 17-18.5.2003; “A Canção de Coimbra e os seus cultores”, Museu Académico de Coimbra, 9-10.11.2003.
[14] Caso de Pierre Monette, O guia do Tango. Lisboa: Assírio & Alvim, 1998, pp. 165-187.
[15] Proposta avançada por Afonso de Sousa.
[16] Proposta mediatizada por António Portugal e António Brojo.
[17] Por todos, Jacques Le Goff, “Passado/presente”, “Idades míticas”, “Progresso/reacção”, “Antigo/moderno”, “Decadência”, “Escatologia”, In Enciclopédia Einaudi/Memória Histórica, Volume 1. Lisboa; INCM, 1984.
[18] Tomando a operativa expressão de José Gobello, El tango como sistema de incorporación. Buenos Aires: Academia Porteña del Lunfardo, 1987, citado por Gloria Toro (2010), op. cit.
[19] Questão identificada por Armando Luís de Carvalho Homem, «Da árdua definibilidade da “Canção de Coimbra”». Nota de apresentação ao CD Coimbra dos poetas/Coimbra das canções, trovas e baladas, gravado pelo Prof. José Mesquita, 1999, pp. 6-10 Editado no blogue Guitarra de Coimbra I, de 2.9.2005.
[20] Reportagem de José Carlos de Vasconcelos, “Itinerário do Fado de Coimbra”, In Diário de Lisboa de 26.4.1966, 27.4.1966, 28.4.1966, 30.4.1966, 3.5.1966 e 4.5.1966, publicada no blogue Guitarra de Coimbra I, postagem de 17.9.2005.
[21] Detentor de uma importante colecção fonográfica de discos de 78 rpm que na década de 1990 doou ao Museu Académico de Coimbra. Nota biográfica por António M. Nunes, “Divaldo Gaspar de Freitas (1913-2003). Um pioneiro na produção de estudos sobre a história da Canção de Coimbra”, In blogue Guitarra de Coimbra I, edição de 30.4.2005.
[22] António M. Nunes, “Perfil biográfico do Dr. António José Soares (1916-2002)”, In blogue Guitarra de Coimbra I, edição de 24.4.2005
[23] “Coimbra do nosso tempo. Cruzes de caídos. In memoriam de Armando do Carmo Goes, Albano de Noronha e D. José Pais de Almeida e Silva”. In Boletim da Associação dos Antigos Estudantes de Coimbra, n.º 9, Coimbra, 1969, pp. 7-13. Escrito em Leiria, janeiro de 1969.
[24] “Ronda pelo passado. À memória do Dr. José Paradela de Oliveira”. In Boletim da Associação dos Antigos Estudantes de Coimbra, n.º 10, Coimbra, 1970, pp. 35-40. Escrito em Leiria, Setembro de 1970.
[26] António Brojo/António Portugal (gg), Luís Filipe Roxo/Humberto Matias (vv): Bailados do Minho (Antero da Veiga), Variações em Mi menor (Artur Paredes), Valsa para um tempo que passou (António Portugal) e Dueto Concertante (António Portugal/António Brojo). Registos em conformidade com a sonoridade e o modus faciendi consolidado pela formação entre 1978-1984.
[27] Conferência proferida por Divaldo de Freitas no Arquivo da Universidade de Coimbra, sintetizada nos artigos de imprensa “Origens do fado de Coimbra dividem investigadores”, In Comércio do Porto, de 2.8.1988; “Afinal, de quem é o Fado Hilário? – de Bettencourt, Manassés, Paredes ou do… próprio?”, In Jornal de Coimbra, de 20.7.1988.
[28] Sem articulação com o livro foi reeditada parte da obra fonográfica gravada em 1928-1929 no Cd Edmundo de Bettencourt/O poeta cantor (Funchal/Lisboa, Discos Popular/Valentim de Carvalho, 560 5231 0047 2 5, 1999, com 15 faixas sonoras. O projecto apresenta lacunas ao nível das autorias, datação do reportório, omissão dos instrumentistas acompanhadores e transcrição de letras.
[29] Neste encontro, o maestro Virgílio Caseiro informou que preparava uma tese de doutoramento na FCSH/UNL sobre “Fado de Coimbra, cujo projecto viria a abandonar. O prof. do ensino secundário e estudioso da música de intervenção Manuel Mendes declarou que tinha apresentado à Université Jean Monnet Saint-Etienne uma “mémoire de maîtrise sur Le Fado de Coimbra”.
[30] Conjunto de 2 cd: Coimbra dos poetas, com 14 composições; Coimbra das trovas, baladas e canções, com 13 composições. Sem menção de local, editora e data.
[31] Na guitarra de Coimbra José dos Santos Paulo, nas violas Aurélio dos Reis e Eduardo Aroso, no violino Manuel Rocha (membro da Brigada Victor Jara e professor no Conservatório de Coimbra).
[32] Trabalho sobre um caderno obtido pelo Dr. Rui Moreira Lopes no Brasil.

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