terça-feira, 31 de julho de 2012

27 Julho 2012

(http://nossaradio.blogspot.pt/2012/07/a-vida-dos-sons-deseja-se-menos_27.html)
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13. Edição do álbum "Eu Vou Ser como a Toupeira", de José Afonso;«Continuação lógica de "Cantigas do Maio", este disco surge numa fase de grande empenhamento político de Zeca – que pouco tempo depois o levará novamente à prisão de Caxias. Apresentado como um trabalho de grupo, com colaborações de Benedicto García, Carlos Alberto Moniz, Carlos Medrano, Carlos Villa, Ernesto Duarte, José Dominguez, José Jorge Letria, José Niza, Maite, Maria do Amparo, Pedro Vicedo, Pepe Ébano e Teresa Silva Carvalho. Pratica­mente impedido de cantar em Portugal, Zeca apresenta-se ao vivo em Espanha e em França e tenta dar conta, em disco, do que por cá se passa. Prenúncios da mudança que se avizinhava são temas como "Ó Ti Alves" [>>YouTube] ou "É para Urga" [>> YouTube]. Mas, enquanto o dia novo não chega, Zeca continua a cantar a cólera e o desespero colectivos, através de momentos musicais inesquecíveis como "A Morte Saiu à Rua" (dedicado a José Dias Coelho, assassinado pela Pide em 1961) [>> YouTube] [videoclip >>YouTube] e "Por Trás Daquela Janela" (escrito para Alfredo Matos, antifascista do Barreiro que se encontrava preso) [>> YouTube], ao mesmo tempo que ironiza com a cadavérica memória salazarista ("O Avô Cavernoso") [>> YouTube], faz novos apelos à luta ("Fui à Beira do Mar" [>> YouTube], "Eu Vou Ser Como a Toupeira" [>> YouTube]) e se diverte com o aparente "non sense" de Fernando Pessoa ("No Comboio Descendente") [>> YouTube], afinal a imagem perfeita de um certo "laissez faire" tão tipicamente lusitano.» (Viriato Teles); para perfazer os 10 temas do alinhamento falta referir "Sete Fadas me Fadaram (com texto do pintor António Quadros) [>> YouTube] e a tradicional "Ó Minha Amora Madura" [>> YouTube], um dos mais extraordinários e cativantes exercícios de minimalismo em círculo melódico da música portuguesa: partindo de apenas quatro versos, José Afonso consegue dar-nos 2 minutos e 18 segundos de música sem que sintamos a mais pequena sensação de cansaço ou aborrecimento;

14. Edição do álbum "Canções de Amor e de Esperança", de Luiz Goes; dando sequência lógica a "Canções do Mar e da Vida" (1969), Luiz Goes publica, no início de 1972, o LP "Canções de Amor e de Esperança"; a gravação decorreu em Dezembro de 1971, nos estúdios da Valentim de Carvalho, em Paço d'Arcos, pelo conceituado técnico de som Hugo Ribeiro; o disco inclui doze temas: oito com letra de Leonel Neves –"Cantiga Para Quem Sonha" (música de João Figueiredo Gomes) [>>YouTube], "Chamo-te Niña" (música de Luiz Goes) [>> YouTube], "Trova de Vila da Feira" (música de António Toscano) [>> YouTube], "É Preciso Acreditar" (música de Luiz Goes) [>> YouTube], "Canção Pagã" (música de Luiz Goes) [>> YouTube], "Anda o Mar Dizendo (Mensagem do Mar)" (música de Durval Moreirinhas), "Balada do Rei Vadio" (música de Luiz Goes) [>> YouTube] e "Uma Lenda do Levante" (música de António Andias) [>> YouTube]; e quatro com letra de Luiz Goes – "Poema Para Um Menino" (música de Luiz Goes) [>>YouTube], "Canção Para Quem Vier" (música de António Toscano), "Sangue Novo" (música de Luiz Goes) [>> YouTube] e "Canção Quasi de Embalar" (música de António Andias e Durval Moreirinhas) [>>YouTube]; se há discos que foram tocados pela varinha de condão, "Canções de Amor e de Esperança" é, sem sombra de dúvida, um deles: por um lado, a bela e portentosa voz de Luiz Goes capaz de nos fazer vibrar até ao âmago e, por outro, os primorosos poemas sobretudo os que saíram do punho de Leonel Neves, hoje um ilustre desconhecido para muita gente, mas a quem se devem alguns dos mais belos textos escritos e cantados em português; tudo isso, sem esquecer, obviamente, os autores das composições que são, além do próprio Luiz Goes, os músicos que o acompanharam: António Andias (na guitarra de Coimbra), Durval Moreirinhas, António Toscano e João Figueiredo Gomes (nas violas); dizer que "Canções de Amor e de Esperança" é o mais superlativo trabalho até hoje realizado no campo da balada de Coimbra é de toda a justiça mas soa a pouco – na verdade, estamos em presença de um dos discos mais encantadores e fascinantes de toda a História da Música Portuguesa;

Excerto de "A vida dos sons": deseja-se menos cinzenta e mais multicolor (V) de Álvaro José Ferreira

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